Enquanto Flávio Bolsonaro luta para consolidar sua pré-candidatura à Presidência, pesquisas revelam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece como uma alternativa com potencial eleitoral maior — um fenômeno que realça a disputa silenciosa pelo centro e pela direita em 2026.
Por Radar Democrático
À medida que o Brasil se aproxima da eleição presidencial de 2026, as forças políticas do campo conservador enfrentam um dilema estratégico: apostar na continuidade da aura bolsonarista ou migrar para uma opção com menor rejeição e maior potencial de atração de aliados e eleitores? As mais recentes pesquisas de intenção de voto e as reações públicas das lideranças dão pistas sobre esse embate interno.
Tarcísio, o “novo nome” da direita
Um levantamento divulgado pela VEJA mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem oscilado em níveis moderados de intenção de voto, mas enfrenta um teto eleitoral que limita seu crescimento enquanto sua rejeição permanece elevada. Numa comparação com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o estudo mostra que, embora hoje Tarcísio apareça com números menores, sua margem teórica de crescimento é superior à de Flávio porque uma parte significativa do eleitorado ainda não o conhece — o que sugere um potencial de expansão maior caso sua campanha ganhe visibilidade e unidade de campo político.
Segundo o cientista político consultado pela VEJA, mesmo no cenário mais favorável para Flávio, ele atingiria um teto de 34% das intenções de voto, enquanto a projeção teórica de Tarcísio poderia chegar a 57% se todos os eleitores que ainda não o conhecem migrassem para sua candidatura — um exercício hipotético, mas que ilustra o diferencial de espaço eleitoral percebido por analistas.
Essa dinâmica tem acendido debates dentro do próprio campo conservador, onde setores do centrão e do empresariado observam com atenção a evolução do governador paulista. Analistas políticos apontam que Tarcísio não apenas representa um eleitorado potencialmente maior, mas também menores taxas de rejeição, um fator crucial em um contexto político polarizado e com alta fragmentação.
A resposta de Flávio Bolsonaro: unidade sob tensão
Enquanto os números geram análises entre especialistas, o senador Flávio Bolsonaro tem buscado reafirmar sua liderança no campo de direita. Em vídeos e declarações nas redes sociais, ele defendeu a importância de união entre as lideranças conservadoras contra o PT, citando nomes como Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como aliados fundamentais nessa estratégia.
No entanto, essa busca por unidade não tem apagado as tensões internas. Boatos e especulações sobre um apoio velado de Michelle Bolsonaro à candidatura de Tarcísio repercutiram nas últimas semanas, levando Flávio a comentar publicamente sobre a necessidade de união do campo político, ainda que com “divergências”.
Além disso, ainda que Flávio tente consolidar sua posição, setores importantes da direita veem em Tarcísio — com menor rejeição e perfil mais “executivo” — uma opção mais competitiva para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, caso a disputa chegue a essa etapa.
Rejeição, descoberta e estratégia
Os dados mais recentes sugerem que a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro continua sendo um obstáculo para o crescimento de Flávio como candidato, mesmo quando a taxa de conhecimento dele aumenta. Essa dinâmica coloca em foco uma questão estratégica mais ampla: o peso da marca política de Jair Bolsonaro hoje no eleitorado conservador — e o quanto essa marca pode limitar ou ampliar o espaço de quem tenta herdar seu legado.
Por outro lado, a figura de Tarcísio, mesmo ainda em processo de construção de reconhecimento nacional, oferece um caminho mais fluido para ampliar alianças, especialmente entre eleitores e segmentos da direita menos ligados ao bolsonarismo tradicional. Essa condição tem atraído a atenção de líderes partidários e do mercado político, que buscam uma alternativa competitiva capaz de se viabilizar sem carregar os mesmos níveis de rejeição de Flávio.
O que isso significa para 2026
A disputa silenciosa entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas não é apenas sobre números em pesquisas, mas sobre narrativas, percepções e estratégias de competição eleitoral. Flávio tenta manter a fidelidade de um eleitorado bolsonarista ainda expressivo, mas enfrenta barreiras significativas de rejeição. Tarcísio, por sua vez, aparece como uma opção que pode atrair tanto a base tradicional quanto eleitores em busca de alternativas menos polarizadas.
Em cenário eleitoral ainda distante das urnas, esses movimentos internos da direita já começam a moldar quem pode ter fôlego para disputar com mais força a Presidência da República em 2026 — e quem terá mais espaço para tentar ultrapassar o teto que hoje os números parecem impor.
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