Professores, estudantes, pais e funcionários da rede estadual de São Paulo realizaram, na última sexta-feira (23), uma manifestação com cerca de 8 mil participantes para protestar contra a forma como o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem conduzido a atribuição de aulas e a implementação de uma reforma administrativa na educação. O ato também teve como pauta a defesa de melhores condições de trabalho e a garantia dos direitos dos estudantes, incluindo a educação inclusiva.
Um dos principais pontos de crítica foi a atribuição de aulas, considerada “injusta e bagunçada” pelos manifestantes. Segundo relatos da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo), muitos professores efetivos, alguns com décadas de experiência, estão sendo alocados como ‘adidos’ nas Unidades Regionais de Ensino (UREs, antigas diretorias de ensino) ou tendo suas jornadas de trabalho fragmentadas em diversas escolas, inclusive em municípios diferentes. A “avaliação de desempenho” e o fechamento de classes são apontados como as causas dessa situação.
“Isto é resultado da famigerada ´avaliação de desempenho´, que expulsa professores de suas escolas e também do fechamento de classes, entre outras medidas autoritárias. Isto nos indica perspectivas muito preocupantes para a atribuição de aulas dos professores da categoria O, em decorrência da avaliação de desempenho e diversas possibilidades de cancelamento de contratos”, diz a primeira presidenta da Apeoesp e deputada estadual Professora Bebel (PT).
A situação dos professores da categoria “O” também foi motivo de preocupação, com o risco de cancelamento de contratos devido à avaliação de desempenho. A Apeoesp denunciou que o governo Tarcísio tentou impor uma atribuição online, mas, pressionado, implementou um sistema informatizado com falhas e lentidão, o que gerou exclusão de docentes e outras irregularidades.
A Apeoesp informou que está presente nos locais de atribuição, fiscalizando o processo e defendendo os direitos dos professores, além de oferecer suporte jurídico para os docentes prejudicados.
Reajuste salarial e reforma administrativa
Os manifestantes também reivindicaram a aplicação do reajuste de 5,4% do piso salarial nacional no salário-base dos professores, sem a forma de abono complementar. Outra pauta importante foi a retirada do PL 1616/2025, projeto de lei que configura uma reforma administrativa da educação e que, segundo os manifestantes, retira direitos garantidos no Estatuto dos Servidores e no Estatuto do Magistério.
Encontro sobre educação inclusiva
No mesmo dia da manifestação, a Apeoesp realizou o II Encontro Estadual de Professores, pais, mães e estudantes atípicos, com o objetivo de debater as necessidades das pessoas com deficiência na rede estadual de ensino. Os participantes denunciaram o “descompromisso” do governo Tarcísio com a inclusão, especialmente em relação à garantia de professores auxiliares nas salas de aula.
O sindicato defende a ampliação da acessibilidade, a formação continuada dos profissionais, melhores condições de trabalho e políticas efetivas para a educação inclusiva.


