
As universidades públicas paulistas — USP, Unicamp e Unesp — são um dos mais importantes instrumentos de mobilidade social, produção científica e desenvolvimento regional do país. Mantidas com recursos públicos, elas pertencem à sociedade e cumprem uma função estratégica: formar profissionais, produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e ampliar oportunidades para jovens da classe trabalhadora.
Os dados mais recentes de ingresso mostram, na prática, o alcance social dessas instituições. Em 2025/2026:
- USP: mais de 53% dos ingressantes cursaram todo o ensino médio na rede pública.
- Unicamp: aproximadamente 49,5% dos aprovados vieram de escolas públicas, percentual em crescimento nos últimos anos.
- Unesp: também registra maioria de estudantes oriundos da rede pública, consolidando uma tendência de ampliação do acesso.
Esses números não são apenas estatísticas. Eles representam milhares de famílias trabalhadoras que passam a ter, pela primeira vez, um filho ou filha no ensino superior público. Representam jovens que se tornam professores, médicos, engenheiros, pesquisadores, gestores públicos. Representam ciência voltada à saúde, à educação, ao meio ambiente, à indústria e às políticas públicas.
Defender a universidade pública é defender:
- A permanência estudantil;
- A produção científica nacional;
- O desenvolvimento regional;
- A soberania tecnológica;
- O direito da juventude trabalhadora ao ensino superior de qualidade.
É nesse contexto que ganha importância o debate da data-base 2026, iniciado pelo Fórum das Seis, que reúne as entidades representativas de docentes, como a Adunicamp, e servidores técnico-administrativos das três universidades estaduais paulistas.
Por que a data-base importa?
A campanha salarial não se resume a reajuste de vencimentos. Ela está diretamente ligada às condições de funcionamento da universidade pública.
Salários defasados, carreiras fragilizadas e incertezas no financiamento impactam:
- A qualidade do ensino;
- A capacidade de pesquisa;
- A permanência de profissionais qualificados;
- A própria continuidade de projetos acadêmicos e sociais.
O Fórum das Seis iniciou o debate da pauta unificada com foco em três eixos centrais:
- Reposição das perdas salariais acumuladas;
- Garantia de financiamento adequado às universidades;
- Unificação das lutas com o conjunto do funcionalismo público estadual.
Em um cenário de pressões orçamentárias e mudanças no ambiente fiscal, assegurar recursos estáveis para USP, Unicamp e Unesp significa proteger um sistema que atende majoritariamente filhos e filhas da classe trabalhadora.
Quando docentes e servidores lutam por condições dignas de trabalho, estão também defendendo:
- Bibliotecas abertas;
- Laboratórios funcionando;
- Restaurantes universitários acessíveis;
- Bolsas de permanência;
- Atendimento estudantil;
- Projetos de extensão junto às comunidades.
A universidade pública não é um privilégio — é uma conquista histórica da sociedade brasileira.
Um convite à comunidade
O debate da data-base 2026 é, portanto, um chamado coletivo. Estudantes, trabalhadores, pesquisadores e a população em geral têm interesse direto na sustentabilidade dessas instituições.
A defesa da universidade pública é a defesa do futuro da juventude trabalhadora. É a defesa da ciência pública. É a defesa de um Estado que invista em conhecimento para reduzir desigualdades.
Fortalecer essa mobilização é fortalecer o direito de estudar, pesquisar, ensinar e transformar realidades.
A universidade pública existe porque a sociedade a construiu — e continua existindo porque a sociedade a defende.
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