A montagem da chapa para a reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfrenta obstáculos significativos devido à tensão com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, e à pressão do PL por um lugar na chapa.
Segudno informações do Metrópoles, O principal ponto de discórdia é a vaga de vice-governador. Tarcísio manifestou o desejo de manter seu atual vice, Felício Ramuth (PSD), mas Kassab ambiciona o cargo, visando a candidatura ao governo estadual em 2030. Essa disputa tem gerado incômodo entre outros partidos da base aliada, especialmente devido ao movimento do PSD em filiar quadros de outras legendas, como a recente filiação de sete deputados estaduais, sendo seis do PSDB.
Além disso, a relação tensa entre Kassab e o então chefe da Casa Civil, Arthur Lima, que foi transferido para a secretaria de Justiça, contribuiu para o clima de crise. Diante desse cenário, Felício Ramuth considera a possibilidade de mudar de partido para garantir sua permanência como vice, um movimento que já foi sinalizado como possível pelo próprio Tarcísio. Ramuth planeja se reunir com Kassab para discutir o tema, defendendo que o PSD apresente ambos os nomes como opções para o governador escolher.
Pressão do PL e o fator Valdemar Costa Neto
Outro fator de pressão é o PL, que também almeja a vaga de vice, buscando viabilizar o nome do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa), André do Prado. Essa candidatura conta com o apoio do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e dos deputados que formam a base de Tarcísio no legislativo paulista. O grupo de apoio a Prado está coletando assinaturas para uma carta que destaca o papel do Parlamento nas conquistas do governo, como a privatização da Sabesp e o Rodoanel Norte.
Apesar da preferência de Tarcísio por Ramuth, aliados do PL mostram otimismo em relação à indicação de Prado, argumentando que o partido é a principal legenda da direita no país e, portanto, merece ter representantes nas chapas dos principais estados. Deputados estaduais do PL também ressaltam que o partido possui a maior bancada na Alesp, o que garante a governabilidade de Tarcísio. Em resposta, o governador tem lembrado o apoio que está dando à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
MDB de olho na vaga e a disputa pelo Senado
Diante da indefinição, outros partidos, como o MDB, também manifestaram interesse na vaga de vice. O presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, já tratou do assunto com o governador, e o presidente estadual do MDB, Rodrigo Arenas, reforçou a intenção do partido em participar da montagem da chapa prioritária em São Paulo.
Nos bastidores, cogita-se que o PL já teria espaço garantido na chapa com a indicação de um nome para a disputa ao Senado. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) tem defendido nomes como o deputado estadual Gil Diniz (PL), os deputados federais Mario Frias (PL) e Marco Feliciano (PL), e a vereadora Sonaira Fernandes (PL). No entanto, Tarcísio defende um nome de perfil mais moderado, temendo que a direita fique sem representação no Senado caso insista em nomes bolsonaristas. Uma das vagas deve ser ocupada pelo deputado Guilherme Derrite (PP).
O governador avalia que, caso a esquerda lance nomes mais “centristas”, a chapa lulista pode conquistar as duas cadeiras em disputa. Entre os nomes ventilados para a corrida ao Senado estão a deputada federal Rosana Valle (PL), preferida de Michelle Bolsonaro, e o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD), que estaria em conversas com o PL. Flávio Bolsonaro defende que o nome para o Senado seja evangélico, citando Feliciano, Sonaira e Cezinha, além do deputado federal Gilberto Nascimento (PL). Tarcísio afirma que a escolha será feita nos próximos meses, com base no desempenho dos postulantes nas pesquisas de intenção de votos.


