sexta-feira, 27/02/2026
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Docentes da Unicamp reagem à violência e cobram autonomia universitária

Professores denunciam invasão durante evento e alertam para escalada de intimidação nas universidades paulistas.

Por Radar Democrático

Em Campinas, a Associação de Docentes da Unicamp (ADunicamp) fez um pronunciamento público nesta semana após episódios de violência registrados no campus. Os docentes divulgaram moção oficial em que repudiam atos de intimidação ocorridos durante a Calourada 2026 e cobra das autoridades um posicionamento firme em defesa da autonomia universitária.

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Em 23 de fevereiro, um grupo externo à comunidade acadêmica interrompeu uma atividade oficial de recepção aos estudantes ingressantes, gerando confusão e recorrendo a ameaças e agressões. O episódio é classificado como grave e, de acordo com os docentes, atinge diretamente a integridade da comunidade universitária e o princípio constitucional da autonomia universitária.

A direção da ADunicamp afirma que o caso não é isolado. Em 2025, tanto na Unicamp quanto na Universidade de São Paulo (USP), foram registrados episódios de invasões de espaços acadêmicos, gravações não autorizadas e exposição de membros da comunidade nas redes sociais com objetivo de intimidação. Para os professores, trata-se de uma estratégia articulada de constrangimento político e de deslegitimação do ambiente universitário como espaço plural e democrático.

No documento, os docentes também apontam que o cenário se insere em um contexto mais amplo de aumento da violência contra profissionais da educação e servidores públicos, com relatos de ameaças, perseguições e campanhas de difamação. Para a entidade, esse ambiente compromete o livre exercício da docência e fragiliza os serviços públicos.

A associação reforça que a universidade pública é patrimônio social, responsável pela formação crítica, produção de conhecimento e desenvolvimento científico. E destaca que a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão está prevista na Constituição e é condição indispensável para o funcionamento da democracia.

A moção foi encaminhada à Presidência da Câmara Municipal de Campinas, à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ao Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, ao Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas e ao Secretário de Educação do Estado, com pedido de manifestação pública em defesa das instituições de ensino superior.

A seguir, a íntegra da moção divulgada pela entidade:

O Conselho de Representantes e a Diretoria da Associação de Docentes da Unicamp vêm a público manifestar repúdio veemente aos atos de violência e intimidação ocorridos no campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialmente durante a Calourada de 2026, realizada em 23 de fevereiro, quando grupo externo à comunidade universitária invadiu atividade oficial de recepção a estudantes ingressantes, provocando tumulto, ameaças e agressões físicas.

Os acontecimentos são graves e atentam contra a integridade da comunidade acadêmica e contra o princípio constitucional da autonomia universitária. Não se trata de episódio isolado, mas de ação articulada por atores políticos vinculados à extrema-direita que, reiteradamente, têm promovido hostilizações, provocações ideológicas e tentativas de constrangimento a estudantes e docentes em universidades públicas paulistas.

Ao longo de 2025, na Unicamp e na USP registraram-se invasões de espaços acadêmicos, gravações não autorizadas, exposição de membros da comunidade universitária nas redes sociais com intuito intimidatório, incitação ao confronto e disseminação de conteúdos destinados a deslegitimar o ambiente universitário como espaço plural e democrático. Tais práticas configuram estratégia sistemática de intimidação política e afrontam diretamente o direito fundamental à educação.

Observa-se, ainda, no cenário mais amplo do Estado e do país, uma escalada de violência contra professores, professoras e servidores públicos, com episódios de ameaças, perseguições e campanhas de difamação dirigidas a profissionais da educação. Esse ambiente de hostilidade compromete o livre exercício da docência e fragiliza o conjunto dos serviços públicos.

A universidade pública constitui patrimônio social e instrumento essencial de formação crítica, produção de conhecimento e desenvolvimento social. Sua autonomia didático-científica, administrativa e de gestão é garantia constitucional e condição indispensável ao pleno funcionamento da democracia.

Diante da gravidade dos fatos, o Conselho de Representantes e a Diretoria da Associação de Docentes da Unicamp:

– Repudia categoricamente os atos de violência ocorridos em 23 de fevereiro de 2026 e todos os demais ataques dirigidos à Unicamp e às universidades públicas do Estado de São Paulo

– Exige a apuração rigorosa dos acontecimentos e a responsabilização civil e criminal dos envolvidos, inclusive daqueles que incitam ou legitimam tais práticas

– Reafirma seu compromisso inegociável com a autonomia universitária, a liberdade de cátedra e a defesa da educação pública, gratuita e democrática

– Encaminha a presente moção à Presidência da Câmara Municipal de Campinas, à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ao Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, ao Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas e ao Secretário de Educação do Estado de São Paulo, solicitando posicionamento público firme em defesa da autonomia universitária e das instituições públicas de ensino superior

– Determina sua ampla divulgação institucional.

Campinas, 25 de fevereiro de 2026.

Conselho de Representantes

Diretoria da ADunicamp

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