
Novos documentos revelam detalhes de um esquema internacional de exploração sexual infantil, com indícios de envolvimento de empresários, políticos e figuras do alto poder econômico.
Por Angelo Cavalcante
Os Epstein Files – Parte 2 foram divulgados na sexta-feira e revelam um dos capítulos mais chocantes do escândalo Jeffrey Epstein, com implicações globais envolvendo tráfico de crianças, abuso sexual infantil e redes de exploração ligadas à elite econômica e política internacional.
O conteúdo dos arquivos é estarrecedor. Há registros com nomes, identidades e, à época, endereços residenciais de crianças — algumas com até 15 anos — inseridas em esquemas de negociação, intercâmbio e leilões clandestinos, nos quais magnatas, banqueiros, bilionários do setor imobiliário e figuras do Oriente Médio aparecem como participantes ou beneficiários.
Trata-se de um dos maiores escândalos contemporâneos envolvendo crimes sexuais, prostituição infantil e crime organizado transnacional, cuja real dimensão começa a ganhar visibilidade em 2026.
Jeffrey Epstein não foi apenas um intermediário a serviço de poderosos. Os documentos indicam que ele estruturou uma sofisticada rede global de exploração sexual, operando nos cinco continentes, com proteção política, financeira e institucional.
Os arquivos também mencionam condutas atribuídas a Donald Trump, descritas nos manuscritos de Epstein. Segundo esses registros, haveria relatos de violência extrema e abuso sexual envolvendo uma menor de idade, apresentados como parte do padrão de comportamento do então empresário e figura pública. As alegações constam dos documentos e reforçam a imagem de impunidade sistêmica que marcou o caso Epstein.
Independentemente dos desdobramentos jurídicos, o conjunto de informações expõe uma crise moral profunda, revelando a face obscura de setores da elite norte-americana e o contraste entre o discurso público de valores e a prática privada de violência, dominação e perversão.
Os Estados Unidos, que frequentemente se colocam como árbitros globais da ética, da democracia e da moralidade, veem-se confrontados por um escândalo que desnuda a degradação de suas estruturas sociais e políticas, sustentadas por poder econômico, silenciamento e cumplicidade.
O mundo só terá alguma chance de avançar se conseguir romper com essa lógica de poder, exploração e hipocrisia, que emerge de um pântano moral profundamente enraizado em parte do establishment norte-americano.
Angelo Cavalcante é Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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