sábado, 28/02/2026
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Segurança Pública

Por que as polícias estão em crise em São Paulo? Entenda

Polícia Civil enfrenta 'apagão' e PM lida com aumento da letalidade e falta de equipamentos adequados

O Estado de São Paulo, historicamente o mais rico e estruturado da federação, enfrenta um cenário paradoxal em sua segurança pública entre 2025 e 2026. Enquanto o governo estadual anuncia investimentos em tecnologia, as forças de segurança atravessam uma crise multifacetada que envolve déficit histórico de pessoal, tensão orçamentária e um debate acalorado sobre a letalidade policial.

A Polícia Civil paulista vive o que entidades de classe chamam de “apagão”. O papel fundamental de polícia judiciária e inteligência tem sido comprometido por fatores estruturais.

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Em 2025, os dados do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo apontavam uma carência de mais de 15.000 policiais civis, o que representa cerca de 36% a 40% dos cargos vagos. Funções como a de escrivão e investigador operam no limite, sobrecarregando os agentes ativos.

No orçamento para 2026, houve uma redução crítica de quase 50% nas verbas destinadas ao combate ao crime organizado, afetando diretamente a capacidade de investigação de facções como o PCC. A redução da verba para o “Combate ao Crime Organizado” passou de R$ 666,4 milhões (2025) para R$ 325,8 milhões (2026).

Já a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo fez uma análise técnica publicada em janeiro de 2026, indicando que o orçamento de investimento em tecnologia e inteligência sofreu uma redução real de 67,57%, recurso esse que foi absorvido por despesas de custeio e pessoal.

Fruto dessa crise, o número de inscritos em concursos despencou. Em 2025, concursos que antes atraíam 100 mil candidatos registraram números drasticamente menores, reflexo de salários que figuram entre os piores do país no ranking nacional de delegados (24ª posição em alguns levantamentos).

PM: Letalidade em alta, estrutura em baixa

Para a Polícia Militar, o foco da crise deslocou-se para a gestão da ponta e o uso da força. Dados de janeiro de 2026 revelaram que as mortes cometidas por PMs em serviço aumentaram em 2025. Especialistas atribuem isso à mudança de diretrizes políticas e ao enfraquecimento do programa de câmeras corporais, que deixou de ter gravação ininterrupta em diversos batalhões.

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo divulgados em janeiro deste ano revelam 834 mortes em intervenções policiais (maior número desde o início da série histórica em 2015), com 714 mortes causadas por polícias em serviço (808 pela PM e 26 pela Civil).

Recentemente, oficiais da PM bateram à porta de gabinetes de deputados na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) pedindo dinheiro para suprir necessidades básicas da corporação, como coletes, fardamento e coturnos.

Assim como na Civil, a tropa da PM pressiona o governo por um reajuste linear em 2026. A insatisfação salarial gera um clima de tensão, com sindicatos e associações organizando assembleias e protestos. Assim como em outras áreas, o governador Tarcísio abandonou as forças policiais do Estado de São Paulo.

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