Vocẽ sabe qual a relação entre o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, as privatizações da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia Elétrica) e da Sabesp e o escândalo do Banco Master? Deputados estaduais como Antônio Donato (PT) e Guilherme Cortez (PSOL) têm denunciado conexões financeiras suspeitas que ligam o nome do governador ao escândalo.
Em 2022, Fabiano Zettel, sócio de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master) e seu cunhado, foi o maior doador individual da campanha de Tarcísio de Freitas, com R$ 2 milhões e de Jair Bolsonaro (R$ 3 milhões). Segundo o deputado Donato, é improvável que um doador dessa magnitude não tenha tido contato direto com o então candidato.
A primeira grande privatização do governo Tarcísio foi a da Emae, concluída em abril de 2024 por cerca de R$ 1 bilhão. O comprador foi o Fundo Phoenix FIP, ligado ao empresário Nelson Tanure, que, segundo a Polícia Federal, é sócio oculto do Banco Master. O fundo era composto, em grande parte, por ações da Ambipar, cujo valor estaria inflado por operações fraudulentas, de acordo com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O presidente do conselho da Ambipar, Carlos Piani, é uma figura central nessa trama.
O destino do dinheiro da EMAE
Após a privatização, a Emae aplicou cerca de R$ 160 milhões em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) de um banco ligado ao conglomerado do Banco Master, representando 5,9% dos ativos da empresa. Para Donato, essa sequência de eventos – doação eleitoral, privatização e aplicação financeira – levanta suspeitas sobre possíveis favorecimentos.
Em julho de 2024, o governo Tarcísio privatizou a Sabesp, e a compradora foi a Equatorial. Carlos Piani, então presidente do Conselho Administrativo da Equatorial e da Ambipar, foi anunciado como novo presidente da Sabesp privatizada.
Em um movimento subsequente, Nelson Tanure pegou R$ 160 milhões do caixa da Emae e comprou CDBs do Banco Master. Quando Tanure não conseguiu quitar o empréstimo com a XP Investimentos, que havia financiado a compra da Emae, a XP executou a dívida e assumiu o controle da Emae. Imediatamente, a Sabesp, sob o comando de Carlos Piani, comprou a Emae da XP.
O escândalo do Banco Master
Em novembro de 2025, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, e o esquema financeiro veio à tona. Segundo o deputado Guilherme Cortez, o banco operava um esquema de pirâmide financeira, com carteiras de crédito falsas e CDBs com retornos irreais.
Cortez também aponta que, quando o esquema do Banco Master explodiu, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teve que fazer o maior resgate da história, R$ 1 bilhão, para resolver o problema.
Implicações políticas e financeiras
Os deputados Donato e Guilherme Cortez questionam a lisura das privatizações e as conexões entre o governo Tarcísio e o Banco Master. Eles argumentam que as operações financeiras levantadas beneficiaram grupos privados em detrimento do patrimônio público e dos interesses da população. A Emae, que opera estruturas fundamentais ligadas às represas Billings e Guarapiranga, tem papel central no sistema hídrico da região metropolitana, especialmente em momentos de escassez de água, e entregar esse controle a grupos com ligações suspeitas é um risco, segundo os parlamentares.


