No prédio Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta noite, a pré-candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo pelo PT. O evento, que reuniu uma ampla frente de partidos como PT, PSB, PCdoB, PV e PSOL, marcou o que Lula chamou de a “despedida” de Haddad de sua equipe ministerial.
Em um discurso focado na sucessão paulista, Lula afirmou que convenceu Haddad a aceitar o desafio devido à gravidade do cenário político e ao risco de retrocessos democráticos. O presidente não poupou elogios ao seu agora ex-subordinado, classificando-o como o “ministro da Fazenda mais exitoso que esse país já teve”.
Fazendo uma analogia esportiva, Lula comparou o desempenho de Haddad nas negociações com o Congresso ao de um técnico de futebol com “quase 80% de vitória”. Para o presidente, Haddad é “incomparavelmente melhor do que todos” os outros possíveis adversários, incluindo o atual governador. “Ele agora está livre para se eleger governador do estado mais importante desse país”, declarou Lula.
Durante o ato, o presidente também avançou na montagem do palanque majoritário. Lula confirmou que a ministra Simone Tebet será uma das candidatas ao Senado por São Paulo. Embora Tebet esteja atualmente no MDB, o cenário discutido envolve sua possível migração para o PSB para consolidar a aliança estadual.
Lula mencionou ainda ter conversado com Geraldo Alckmin sobre o papel do vice-presidente na chapa, deixando aberta a possibilidade de Alckmin também disputar o Senado, caso isso ajude Haddad a “colher mais frutos” eleitorais.
Haddad, por sua vez, reafirmou que sua entrada na disputa não é um sacrifício, mas um “grande privilégio”. Ele destacou que a eleição em São Paulo será um embate para despertar o estado de uma “inércia” e garantir que as conquistas democráticas não sejam colocadas em risco.
“Eu não disputo a eleição para barganhar o que quer que seja. Eu disputo a eleição para ganhar. E é como eu vou disputar essa eleição… me apresentando de cara limpa com um bom projeto que vai angariar apoio e despertar a consciência das pessoas”.
A visão dos aliados e o compromisso de Haddad
O tom de otimismo foi compartilhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que foi governador de São Paulo quatro vezes.
“Poucas pessoas estão tão preparadas. Um professor, grande ministro da educação… ministro da Fazenda, que fez a sonhada reforma tributária que vai impulsionar a nossa economia, mas especialmente uma pessoa vocacionada para servir, servir o nosso estado de São Paulo como um grande governador.”
Edinho Silva, presidente nacional do PT, reforçou que Haddad é o quadro capaz de alinhar São Paulo ao projeto nacional de desenvolvimento e justiça social defendido pelo governo federal.
Lula encerrou o ato convocando a militância para uma disputa que vai além das fronteiras estaduais, definindo o pleito como uma luta da “democracia contra o fascismo”. “Essa luta não é minha, essa luta não é do Haddad… essa luta é de vocês”, concluiu o presidente.



