As ruas de São Paulo, palco de intensa atividade, abrigam mais de 12.600 trabalhadores ambulantes que lutam por sobrevivência. Uma pesquisa inédita do Dieese, encomendada pelo Fórum dos Ambulantes, expõe a negligência do poder público e as dificuldades enfrentadas por essa categoria.
O estudo revela um mercado de trabalho informal marcado pela desigualdade. A maioria dos ambulantes é do sexo masculino (63%) e composta por pretos e pardos (53%), uma proporção superior à média da população ocupada na cidade. A presença de imigrantes também é significativa, representando 31% do total, com destaque para a comunidade boliviana.
Para 43% dos ambulantes, a rua é o local de trabalho há mais de 11 anos, e 86% dependem exclusivamente dessa renda. No entanto, a média salarial é de R$ 3.000,00, cerca de 56% do rendimento dos demais trabalhadores em São Paulo. Muitos enfrentam jornadas exaustivas, com 44% trabalhando mais de 44 horas semanais. Além disso, 75% não contribuem para a Previdência Social, e 51% não possuem MEI, deixando-os desamparados.
Violência e Repressão Estatal
Um dos dados mais alarmantes é que 24% dos ambulantes já sofreram violência policial ou institucional. O confisco de mercadorias, conhecido como “rapa”, atingiu 38% dos trabalhadores, e 18% relatam extorsão ou pedido de propina por parte de policiais ou fiscais. A Operação Delegada, convênio entre a prefeitura e a Polícia Militar, é apontada como um dos principais vetores dessa repressão, culminando no assassinato do ambulante senegalês Ngagne Mbaye em 2025.
A principal reivindicação dos ambulantes é a regularização do ponto ou legalização da banca, desejada por 66% dos entrevistados. Atualmente, 56% trabalham sem permissão, vivendo sob o constante medo da perda de suas mercadorias. Além da legalidade, os trabalhadores demandam o fim da violência e do “rapa” (45%), a disponibilização de banheiros (40%), melhoria na infraestrutura (31%) e políticas específicas para mulheres (19%).
Apesar das dificuldades, 73% dos ambulantes não desejam mudar de profissão. Eles buscam reconhecimento, justiça social e o direito de trabalhar sem medo.


