segunda-feira, 9/02/2026
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Justiça suspende regra que impedia professores de SP de dar aulas por três anos

Liminar beneficia docentes da categoria O, que poderiam ser barrados por até três anos após avaliação

Uma decisão judicial suspendeu a regra que impedia professores da categoria O da rede estadual de São Paulo de serem contratados por até três anos, após avaliação de desempenho considerada insatisfatória pela direção da escola. A liminar, concedida pela 13ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, atende a uma ação civil pública movida pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) contra a Secretaria Estadual de Educação.

A juíza Paula Narimatu de Almeida suspendeu o artigo 1º, VI, da Resolução Seduc nº 08/2026 que incluía uma nova hipótese de vedação à contratação de professores temporários, permitindo que diretores de escola impedissem a contratação de docentes com base em avaliações de desempenho.

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A magistrada considerou que a resolução extrapola o poder regulamentar, uma vez que a Lei Complementar nº 1.093/2009, que rege a contratação de temporários no serviço público paulista, não prevê tal restrição. “Desta forma, exsurgem indícios de inconstitucionalidade da norma impugnada”, afirmou a juíza na decisão.

A Resolução nº 8, publicada em janeiro deste ano, alterou as regras de contratação e desligamento de docentes da Categoria O na rede estadual. A norma estabelece que o professor que não registrar regência de classe ou não tiver aulas atribuídas por período igual ou superior a 30 dias pode ter o contrato encerrado e ser impedido de futuras contratações.

A atribuição de aulas deste ano deixou 40 mil professores sem aulas, segundo a Apeoesp, a maior parte docentes da categoia O. Por serem temporários, o governo de São Paulo está fazendo demissões em massa neste início de ano.

“Vocês teriam que levar três anos para poder voltar a dar aulas e ao mesmo tempo iriamos ter falta de professores. Por que é isso que vai acontecer quando as políticas que lamentavelmente a Secretaria Estadual de Educação tem implantado: estão empurrando para o apagão de professores. E para [impedir] isso essa liminar será muito importante. Voce que esta nesta situação, em que o diretor [optou pela] não permanência […] você vai poder voltar. deu a quarentena você pode ter aulas atribuídas e sem o processo seletivo simplificado.”

Ação da Apeoesp e Reivindicações da Categoria

A Apeoesp tem intensificado a mobilização contra o que considera “autoritarismo e política de desmonte” do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), incluindo paralisações, atos, pressão sobre a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc) e ações judiciais. No dia 11 de fevereiro, o sindicato convocou um ato em frente à Seduc para protestar contra as resoluções consideradas “autoritárias”.

Além da questão da contratação de professores, a Apeoesp reivindica a aplicação do reajuste de 5,4% do piso salarial nacional no salário base, o fim do abono complementar, a aplicação correta da jornada do piso e o cumprimento da lei do descongelamento do tempo de serviço durante a pandemia.

Fonte:
Tribunal de Justiça de São Paulo
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