sábado, 28/02/2026
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USP homenageia Vladimir Herzog com título póstumo de Doutor Honoris Causa

Escola de Comunicações e Artes da USP propôs a honraria, aprovada por unanimidade, em memória ao jornalista assassinado em 1975

O Conselho Universitário da USP aprovou, por unanimidade, a outorga do título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao jornalista Vladimir Herzog. A proposta para a concessão do título foi apresentada pela Escola de Comunicações e Artes (ECA). A sessão do Conselho foi realizada na última terça-feira, dia 24 de fevereiro.

De acordo com o Estatuto da Universidade, a honraria é concedida “a personalidades nacionais ou estrangeiras que tenham contribuído, de modo notável, para o progresso das ciências, letras ou artes; e aos que tenham beneficiado de forma excepcional a humanidade, o País, ou prestado relevantes serviços à Universidade”. Desde a sua criação, há mais de 92 anos, a USP concedeu 124 títulos de Doutor Honoris Causa. O mais recente foi em março de 2025, quando o Conselho aprovou a concessão da honraria ao artista e arquiteto Sérgio Ferro.

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De acordo com o projeto apresentado pela ECA, “Herzog foi um jornalista profundamente comprometido com a comunicação pública, o acesso à informação de qualidade e à defesa dos direitos humanos , além de contribuir de forma significativa para a formação de novas gerações de profissionais da área. A outorga do título é um reconhecimento por sua trajetória destacada na comunicação brasileira, e também um tributo à memória de quem lutou por valores fundamentais como a democracia, os direitos humanos e a liberdade de expressão, princípios que continuam a orientar nossa Universidade”.

“Em 2025 se completaram 50 anos de seu assassinato e a concessão do título de Doutor Honoris Causa representa não apenas um gesto simbólico de reparação histórica, mas também uma homenagem da USP a um professor cuja trajetória foi brutalmente interrompida em um dos períodos mais sombrios da história recente de nosso país e da própria Universidade”, consta no documento.

A diretora da ECA, Clotilde Perez, destacou que:

“conceder o título de Doutor Honoris Causa a Vladimir Herzog é uma forma não de premiá-lo simplesmente, mas uma forma de a USP se posicionar frente à sociedade, deixando claro que aqui é a casa dos direitos humanos, da dinâmica de construção e desconstrução constantes dos conhecimentos e das ciências, sempre em harmonia, com amplo respeito a toda a diversidade. E aqui a excelência da pesquisa e do ensino só faz sentido em liberdade”.

Dedicação ao jornalismo

Vlado Herzog (Vladimir foi o nome que registrou no Brasil) nasceu em Osijek, atualmente Croácia, em 27 de junho de 1937. Morou em Banja Luka, onde seus pais tinham comércio, até agosto de 1941. Depois da invasão nazista, a família mudou-se para a Itália. No dia 24 de dezembro, imigraram para o Brasil, em São Paulo.

Vlado formou-se no curso clássico do Colégio Estadual de São Paulo. Gostava muito de teatro, participando de vários grupos amadores. Ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde conheceu Clarice, sua esposa, com quem teve dois filhos: Ivo e André.

Começou a carreira como jornalista em 1959, atuando como repórter do jornal O Estado de S. Paulo. Entre suas reportagens especiais estão a inauguração de Brasília, a campanha eleitoral e a posse de Jânio Quadros. Também fez uma entrevista com o francês Jean-Paul Sartre pelo Brasil, entre outras reportagens de cultura.

Foi assistente de produção do Show de Notícias, da TV Excelsior, e atuou na Rádio BBC, passando a viver em Londres entre 1965 e 1968. De volta ao Brasil, trabalhou como produtor de TV na agência de publicidade J. Walter Thompson e atuou em seguida na TV Universitária da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A partir de 1970, tornou-se redator e depois editor de cultura da revista Visão, ocupando funções também no jornal Opinião. Dirigiu o telejornalismo da TV Cultura entre os anos de 1973 e 1975.

Vlado se dedicou especialmente ao jornalismo cultural e à crítica cinematográfica. Também atuou como diretor de cinema e foi um dos roteiristas do documentário Marimbás (1963), sobre homens que viviam das sobras de peixes dos pescadores da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Foi também chefe de produção de Subterrâneos do Futebol (1965), de Maurice Capovilla, e integrou a equipe responsável pelo som direto de Viramundo (1965), de Geraldo Sarno.

Em 25 de outubro de 1975, sob ordens do regime militar brasileiro, o jornalista foi detido, torturado e assassinado nas instalações do DOI-Codi, no Quartel-General do II Exército, em São Paulo.

Fonte:
Jornal da USP
https://jornal.usp.br/institucional/vladimir-herzog-e-homenageado-com-titulo-de-doutor-honoris-causa-da-usp/
Radar Democrático
Radar Democráticohttp://radardemocratico.com.br
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