Início Opinião Apagão em São Paulo revela conflito de interesses, por Teonilio Barba

Apagão em São Paulo revela conflito de interesses, por Teonilio Barba

No caso da Enel, as multas aplicadas pela agência (Aneel) somam R$ 320 milhões e mais de R$ 260 milhões (80%) ainda não foram pagos, tendo a distribuidora recorrido a uma liminar para se livrar da dívida.

Deputado Teonilio Barba - Foto: Marco A. Cardelino / Alesp

Em menos de um ano, a empresa Enel Distribuição São Paulo deixa seus clientes pela terceira vez no escuro. Depois do temporal da sexta-feira (11/10), 2,1 milhões de residências ficaram sem energia elétrica e 1,6 milhão permaneciam sem luz no dia seguinte.

A incapacidade da Enel em dar uma resposta para a população é o resultado da sanha privatista dos governos neoliberais, que pregam o Estado mínimo e passam a vender os bens da sociedade de maneira indiscriminada, o que nós, da esquerda, denunciamos incansavelmente, principalmente no que se refere a serviços essenciais como a energia elétrica e o fornecimento e tratamento da água.

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As agências reguladoras, criadas ainda no governo FHC, com a obrigação de fiscalizar essas privatizações, mostraram-se ineficazes no acompanhamento do que deveria ser um serviço de qualidade. No caso da Enel, as multas aplicadas pela agência (Aneel) somam R$ 320 milhões e mais de R$ 260 milhões (80%) ainda não foram pagos, tendo a distribuidora recorrido a uma liminar para se livrar da dívida.

Além disso, o Tribunal de Contas do Município de São Paulo acionou a Aneel e divulgou uma Nota Técnica elaborada por um grupo de estudos que analisa a atuação da Enel.

O documento lista sete problemas da concessionária como o déficit de 32% dos investimentos; aumento de 72% no tempo de atendimento, passando a ser de até 15 horas; multas acumuladas, incluindo Procon e Senacon; redução do quadro de funcionários em 51,55% nos últimos cinco anos, com a demissão de cerca de 4 mil trabalhadores e redução de 50% nos custos operacionais.

E, ainda pela Nota Técnica, a Enel figura entre as dez piores empresas de energia elétrica do Brasil, pelo Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC).

A Enel obteve lucro de R$ 1,3 bilhão nas operações no Estado de São Paulo, em 2023.

Não podemos nos esquecer que a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), que convocou o então presidente da Enel em São Paulo, Max Xavier Lins, para esclarecimentos sobre o apagão de novembro do ano passado, foi interrompida algumas vezes por falta de energia.

Diante do caos instaurado e do retrocesso que essas políticas privatistas provocam, a imagem que temos que combater é a do governador Tarcísio de Freitas martelando euforicamente, em comemoração a mais uma venda do patrimônio público, em março do ano passado, no leilão do trecho Norte do Rodoanel.

Não à toa, o governador apoia o atual prefeito inoperante para a reeleição na cidade de São Paulo. É a perpetuação da precarização dos serviços públicos privatizados.

Teonilio Barba, deputado estadual pelo PT-SP e 1º secretário da Alesp.

 

* Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião do Radar Democrático.

 


* O Radar Democrático publica artigos de opinião de autores convidados para estimular o debate.

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