sexta-feira, 13/03/2026
Notícias que São Paulo precisa
São Paulo

Deputados liberam Tarcísio para vender terras a grileiros e fazendeiros a preço de banana

Governador poderá vender terras do estado a ocupantes com desconto de até 90% do valor real do imóvel
Base do governo Tarcísio aprovou PL da "Bolsa Grileiro" - Foto: Rodrigo Romeo / Alesp
Base do governo Tarcísio aprovou em primeiro turno PL da “Bolsa Grileiro” – Foto: Rodrigo Romeo / Alesp

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou nesta terça-feira (26) o texto base do projeto de lei do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que permite a venda de terras devolutas do estado para fazendeiros e grileiros.  A oposição criticou duramente o projeto (PL 410/2025) que permite a venda de terras públicas a preços com até 90% de desconto. O PL ganhou ou apelido de “Bolsa Grileiros”. O projeto ainda deve voltar à pauta da Alesp na semana que vem para votação de emendas.

O deputado Luiz Cláudio Marcolino (PT) foi incisivo na Tribuna da Alesp: “o governador Tarcísio ou não conhece o Estado de São Paulo ou não conhece a legislação do nosso país”, declarou. Ele acusou o projeto de legalizar a grilagem em São Paulo e chamou a medida de “um presente que o governador do estado de São Paulo, o governador Tarcísio, está dando aos grileiros”.

Receba nossas notícias

Deputados do PT: Marcolino, Donato e Fiorilo - Foto: Rodrigo Romeo / Alesp
Deputados do PT: Marcolino, Donato e Fiorilo – Foto: Rodrigo Romeo / Alesp

O projeto permite a entrega de até 720 mil hectares de terra com até 90% de desconto sobre o valor de mercado. Estas terras foram ocupadas por grileiros que terão a oportunidade de comprar as terras que já usam ilegalmente a partir de apenas 10% do que realmente valem.

O deputado Jorge do Carmo (PT) também se manifestou contra a proposta. “Esse projeto é muito caro para nós, para a bancada do Partido dos Trabalhadores, para a oposição aqui dessa casa, porque nós defendemos a democracia, a terra e a democracia”, disse. Ele questionou os resultados e beneficiários das leis fundiárias que o projeto altera e se elas atendem ao interesse público. “Essas leis atendem o interesse público? Pergunta para os senhores deputados que vão votar favorável”, provocou.

O valor total das áreas chega a R$ 9,6 bilhões, mas apenas R$ 1,9 bilhão será arrecadado com as vendas — um desconto médio de 80%. Se o modelo anterior, estabelecido pela Lei  nº 4.925 de 1985, ainda estivesse em vigor, o retorno para o estado seria de pelo menos R$ 4,8 bilhões.

Ediane Maria: trabalhadores não são beneficiados com o projeto - Foto: Rodrigo Romeo / Alesp
Ediane Maria: trabalhadores não são beneficiados com o projeto – Foto: Rodrigo Romeo / Alesp

A deputada Ediane Maria (PSOL) também criticou o PL. “A gente está votando aqui um projeto, gente, estamos totalmente contrários a ele, porque aqui é a Bolsa Grileiros”, afirmou. Ela questionou quem seriam os reais beneficiários do projeto. “Ah, é a trabalhadora doméstica? Não. É o pedreiro? Não. É a agricultura familiar, que sustenta esse país e alimenta? Não”.

Para conseguir fazer a venda, o governo Tarcísio deu uma pedalada agrária. As áreas com mais de 2500 hectares serão fracionadas em terrenos menores. Assim, o governador burla a Constituição de 1988 e pode fazer a venda e ainda alega que beneficia a agricultura familiar. Mas a oposição critica que na prática, a venda atende aos interesses de grandes fazendeiros, principalmente na região do Pontal do Paranapanema, no oeste do estado de São Paulo.

Beneficiados com o projeto não estão em vulnerabilidade social, como governo alega - Foto: Rodrigo Romeo / Alesp
Beneficiados com o projeto não estão em vulnerabilidade social, como governo alega – Foto: Rodrigo Romeo / Alesp

A deputada Mônica Seixas (PSOL) questionou a vulnerabilidade dos beneficiados pela lei de terras, considerando o tamanho dos terrenos. “Se os senhores conseguirem fazer a conta do que representa 15 módulos rurais, se os senhores conseguirem imaginar o que é esse tanto de terra, o senhor me explica qual é a situação de vulnerabilidade desse pobre coitado que foi beneficiado por essa lei de terras”, disse.

Outro ponto sensível é a dispensa de exigências ambientais. A proposta exclui prazos e condicionantes que antes exigiam o licenciamento ambiental em até 120 dias após a regularização, enfraquecendo a política de proteção ambiental. Também libera que medições e demarcações sejam feitas por empresas privadas, com posterior homologação do poder público.

A deputada Beth Sahão (PT) criticou o projeto, afirmando que ele retoma o latifúndio em determinadas regiões do Estado. Ela também questionou a promessa do governo de assentar famílias. “E agora vêm representantes aqui do governo nessa tribuna dizer que o governo Tarcísio vai assentar mais de 400 mil famílias só se for no sonho, só se for no sonho, porque a realidade está longe disso”, disse. A deputada ainda criticou a falta de suporte do ITESP aos assentados.

1 COMENTÁRIO

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, escreva seu nome

Últimas notícias

Entenda as fraudes, a condenação da Bosch e a Operação Hipócritas

A histórica condenação da multinacional Robert Bosch a pagar...

Rompimento de reservatório da Sabesp em Mairiporã causa uma morte

Um reservatório de água da Sabesp (Companhia de Saneamento...

Pesquisa Quaest traz Lula e Flávio Bolsonaro empatados em segundo turno

A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11),...

“Feminicídio é machismo, misoginia e extrema direta”, diz Fernanda Henrique, vereadora do PT

A crescente e alarmante onda de feminicídios no Brasil...

Fim da lista tríplice para reitores de universidades federais

Por Rogério Bezerra da SilvaO Senado Federal aprovou nesta...

Topics

Entenda as fraudes, a condenação da Bosch e a Operação Hipócritas

A histórica condenação da multinacional Robert Bosch a pagar...

Rompimento de reservatório da Sabesp em Mairiporã causa uma morte

Um reservatório de água da Sabesp (Companhia de Saneamento...

Pesquisa Quaest traz Lula e Flávio Bolsonaro empatados em segundo turno

A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11),...

Fim da lista tríplice para reitores de universidades federais

Por Rogério Bezerra da SilvaO Senado Federal aprovou nesta...

Governo Lula pede investigação do Cade sobre alta nos preços dos combustíveis

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério...

A resposta de Haddad à provocação de Flávio Bolsonaro sobre o Banco Master

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), respondeu às...
spot_img

Related Articles