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Greve histórica de bancários há 40 anos é celebrada em São Paulo

Mobilização no Centro de São Paulo. Foto: acervo Sindicato dos Bancários de SP
Mobilização no Centro de São Paulo. Foto: acervo Sindicato dos Bancários de SP

Sindicatos de bancários em todo o Brasil celebram neste mês de setembro os 40 anos de uma greve que paralisou o sistema financeiro nacional. O movimento, ocorrido em 1985, representou um marco na redemocratização do país.

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) realizará uma sessão solene na sexta-feira (19), às 10h. A iniciativa é do deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino, ele próprio um sindicalista bancário, e contará com a presença de organizadores da greve.

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A greve de 1985 ocorreu em um contexto de inflação elevada, com taxas na casa dos três dígitos. Era uma época anterior à popularização da microinformática e dos celulares, quando as agências bancárias empregavam um grande número de funcionários, e os datacenters contavam com muitos digitadores. Ao todo, a categoria somava mais de 500 mil bancários com emprego direto, além de um contingente de terceirizados.

O dia 1º de setembro é a data-base da categoria bancária, conhecida popularmente como dissídio, com o dia 28 de agosto sendo a efeméride da categoria desde os anos 50. É nesse período que se intensificam as assembleias e mobilizações para discutir reajustes salariais e novas regulamentações das condições de trabalho, culminando frequentemente em greves, piquetes e passeatas.

A uniformidade do sistema financeiro em todo o Brasil, com agências e centros administrativos prestando os mesmos serviços, contribuiu para a eficácia das mobilizações. Desde os anos 70, a categoria havia conquistado a eliminação dos salários regionais, o que fortalecia a coesão nacional dos trabalhadores bancários.

O então sindicalista Luiz Gushiken durante passeata. Foto: Seeb-SP/Cedoc

Dois fatores essenciais impulsionaram o sucesso da greve. O primeiro foi a conjuntura política de fim da ditadura militar e os intensos movimentos pela redemocratização do país. Este período foi marcado pela campanha por anistia, a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a campanha pelas Diretas Já e a eleição da chapa Tancredo Neves-José Sarney no Colégio Eleitoral, prenunciando o fim do regime autoritário.

O segundo fator foi a composição da própria categoria bancária, que reunia centenas de milhares de jovens com aspirações de ascensão social e uma forte disposição para a paralisação. A greve durou dois dias, 11 e 12 de setembro, e culminou em uma vitória expressiva: um reajuste salarial de 90,78%. O êxito inspirou uma nova greve nos mesmos moldes no ano seguinte.

Folha Bancária durante as mobilizações de 1985. Foto: Seeb-SP/Cedoc

Essa explosão de energia e engajamento resultou no surgimento de inúmeras lideranças sindicais dentro da categoria. Entre elas, destacou-se Luiz Gushiken, que posteriormente se tornaria deputado federal e Ministro da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica nos governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A partir dessa onda, os bancários ocuparam o cenário político, elegendo vereadores, deputados estaduais em diversos estados e governadores, formando uma base política significativa que, segundo o texto, só não lançou um presidente da República porque “na frente deles havia o Lula”.

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