segunda-feira, 19/01/2026
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Alto-mar da resistência: jovens brasileiros cruzam fronteiras por Gaza

Jovem liderança política de Campinas, Mariana Conti relata no Conexão Adunicamp sua participação na Flotilha da Liberdade e revela como a travessia se tornou um marco de solidariedade internacional em defesa do povo palestino.

Por Radar Democrático

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Quando a solidariedade se transforma em porto seguro para a dignidade humana, o mar vira ato de coragem, bandeira. Em agosto de 2025, uma delegação internacional de ativistas, parlamentares e defensores de direitos humanos partiu em uma travessia simbólica para romper o cerco imposto à Faixa de Gaza: a Flotilha da Liberdade. Entre os cerca de 12 brasileiros embarcados estava a militante e vereadora de Campinas, Mariana Conti (PSOL), que há anos percorre os corredores da luta por justiça social dentro e fora da academia.

Para muitos, cruzar oceanos em nome da solidariedade soa como uma narrativa épica — e, de fato, foi: o grupo foi interceptado antes de alcançar seu destino, enfrentando intimidações, riscos e a dura demonstração de uma realidade marcada pela violência.

No videocast do episódio #Ep86 de Conexão ADunicamp, Mariana narra sua motivação e relata os momentos angustiantes vividos a bordo — mas também compartilha as reflexões que emergiram desta experiência: como o mar, a bordo do barco da resistência, se transformou em um símbolo potente de solidariedade internacional e de contestação aos mecanismos de opressão.

Por que isso importa

  1. A participação de brasileiros demonstra que a solidariedade às lutas globais — como a do povo palestino — ainda pulsa forte nas ruas e nas universidade.
  2. Jovens e ativistas rompem com o isolamento geográfico: transformam a indignação em ação concreta, visível sobre águas internacionais.
  3. A travessia expõe — de modo simbólico e real — o cerco que bloqueia a Gaza: não apenas o cerco físico, mas também o cerco informacional e simbólico imposto pelas dinâmicas geopolíticas.
  4. Histórias como a de Mariana mostram que a militância, mesmo em alto-mar, tem rosto: o de quem acredita que justiça social e direitos humanos não conhecem fronteiras.

Quem é Mariana Conti: juventude, luta e política de resistência

Mariana Conti é uma voz jovem e firme na política de Campinas (SP). Campineira, socióloga e doutoranda em Ciência Política pela Unicamp.

Ela começou sua militância aos 17 anos, ainda na universidade, atuando no movimento estudantil da Unicamp — chegando a ser coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Desde então, envolveu-se em lutas por educação pública, passe livre, direitos das mulheres, diversidade sexual e causas em defesa dos direitos humanos.

Eleita vereadora pela primeira vez em 2016 com 6.956 votos — na ocasião a mulher mais votada da história da cidade e a única mulher na legislatura. Em 2020, ampliou sua votação dramaticamente: com 10.886 votos, tornou-se a candidata mais votada de Campinas. No pleito de 2024, repetiu a façanha e foi reeleita com 14.356 votos — confirmando-se como a parlamentar mais votada do município.

Seu mandato carrega um perfil combativo e popular: Mariana concentra suas bandeiras na defesa dos direitos das mulheres, da população LGBTQIA+, dos trabalhadores, da educação pública, da democratização de serviços e da justiça social. Ela esteve na linha de frente de iniciativas pela instalação da Delegacia da Mulher 24h, criação de juizado especializado contra violência doméstica, políticas de proteção às mulheres, além da luta por transporte público digno, saúde pública, moradia, habitação e participação popular.

Para ela, a política não é um palco para poder — e sim uma ferramenta de transformação social. Com convicção, defende que “onde há luta, estamos presentes”, sempre com o compromisso de dar voz aos movimentos sociais e pressionar por políticas públicas que atendam a quem mais precisa.

Essa trajetória — de militância jovem, formação acadêmica, ativismo e mandatos conquistados nas urnas — faz de Mariana Conti um símbolo de resistência política, protagonismo feminino e esperança para quem busca uma cidade mais justa, inclusiva e solidária.

Quer conhecer de perto essa jornada?

Assista ao videocast da Conexão ADunicamp — episódio #Ep86: Flotilha da Liberdade — no YouTube da Adunicamp.

Créditos da produção

  • Roteiro e apresentação: Cristina Segatto e Paulo San Martin
  • Edição: Paula Vianna
  • Estagiária: Flávia Catusso
  • Vinheta: Magrão Percussionista
  • Produção e Coordenação: Fernando Piva
  • Realização: ADunicamp

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Rogério Bezerra
Rogério Bezerrahttps://gravatar.com/creatorloudly177c571905
Geógrafo, Mestre, Doutor e Pós-doutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp. Foi Diretor de Pesquisa Aplicada da Fundacentro. Coordenador do Movimento Pela Ciência e Tecnologia Pública. Atua especialmente em temas relacionados à análise e avaliação de políticas públicas.

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