sexta-feira, 9/01/2026
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Atos em defesa da democracia ocupam ruas do estado de São Paulo neste 8 de janeiro

Manifestações marcam três anos da tentativa de golpe de 2023, cobram punição aos golpistas, rejeitam qualquer anistia e incorporam repúdio à intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, vista por movimentos como ameaça à soberania e à democracia na América Latina.

Por Radar Democrático

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Movimentos populares, centrais sindicais, partidos políticos e organizações da sociedade civil realizam nesta quinta-feira, 8 de janeiro, atos em São Paulo em defesa da democracia, da memória institucional e contra qualquer proposta de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de 2023. As mobilizações integram uma jornada nacional de protestos convocada por frentes populares e organizações de esquerda para marcar os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Na capital paulista, o principal ato ocorre no Largo São Francisco, em frente à Faculdade de Direito da USP, espaço historicamente associado às lutas democráticas no país. A escolha do local reforça o caráter simbólico da manifestação, que articula memória, denúncia política e mobilização social.

“Sem anistia” e defesa do Estado Democrático de Direito

De acordo com os organizadores, o eixo central das manifestações é a defesa incondicional do Estado Democrático de Direito e a rejeição a iniciativas legislativas que possam resultar na redução de penas ou anistia aos responsáveis pelos atos golpistas. Veículos do campo progressista destacam que o lema “Sem anistia” expressa a compreensão de que a democracia só se fortalece com responsabilização e justiça.

Esses atos ocorrem em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas profundas diante da operação militar dos EUA em território venezuelano. A ação tem sido classificada como um precedente perigoso de uso da força e de intervenção externa em um país latino-americano — e, para muitas das organizações que mobilizam protestos no Brasil hoje, esse episódio reforça a urgência de defender o Estado democrático de direito e a autonomia das nações frente a influências hegemônicas.

As convocações ressaltam que os ataques de 8 de janeiro de 2023 não foram episódios isolados, mas parte de uma estratégia mais ampla de desestabilização institucional, o que exige vigilância permanente da sociedade civil organizada, especialmente em um contexto de reorganização da extrema direita no Brasil.

São Paulo na mobilização democrática

A cobertura dos veículos de esquerda destaca o papel de São Paulo nas mobilizações democráticas, reunindo sindicatos, movimentos estudantis, organizações populares, partidos e coletivos culturais. Entidades ligadas às frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo apontam que a capital paulista concentra tanto a memória de lutas democráticas quanto disputas políticas decisivas para o futuro do país.

Além do ato no centro da cidade, atividades descentralizadas e vigílias políticas também foram convocadas por organizações locais, ampliando o alcance simbólico e territorial da mobilização no estado.

Memória, justiça e futuro democrático

A data de 8 de janeiro deve ser tratada como marco permanente da memória democrática, evitando a normalização da violência política e do golpismo. As manifestações também dialogam com agendas mais amplas, como a defesa da soberania nacional, dos direitos sociais e do papel do Estado na proteção das instituições republicanas.

Para os organizadores, recordar os ataques de 2023 não é apenas um gesto simbólico, mas um ato político pedagógico, que reafirma o compromisso com a democracia diante de ameaças autoritárias recorrentes.

Por que isso importa
Os atos em São Paulo mostram que a defesa da democracia segue sendo uma pauta viva, sustentada por mobilização popular e memória política. Em um cenário de disputas institucionais e tentativas de reabilitação do discurso golpista, ocupar as ruas torna-se parte central da defesa do regime democrático.

Serviço — Atos em Defesa da Democracia no Estado de São Paulo — 8 de Janeiro de 2026

São Paulo (capital)

Local: Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP (Largo São Francisco), Centro. 18h.

Campinas

Local: Largo da Catedral, Centro. 17h

Araraquara

Local: Praça em frente à Câmara Municipal de Araraquara. 18h30.

Bauru

Local: Praça em frente à Câmara Municipal de Bauru. 16h.

Ribeirão Preto

Local: Esplanada do Theatro Pedro II. 18h.

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Rogério Bezerra
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Geógrafo, Mestre, Doutor e Pós-doutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp. Foi Diretor de Pesquisa Aplicada da Fundacentro. Coordenador do Movimento Pela Ciência e Tecnologia Pública. Atua especialmente em temas relacionados à análise e avaliação de políticas públicas.

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