Manifesto internacional repudia bombardeio e sequestro de Nicolás Maduro e dialoga com os atos realizados neste 8 de janeiro em defesa da democracia e contra ações golpistas no país
Por Radar Democrático
Neste dia em que movimentos sociais, entidades civis e forças democráticas voltaram às ruas no Brasil, 8 de janeiro, para reafirmar a defesa da democracia e repudiar tentativas golpistas, uma articulação internacional de entidades empresariais latino-americanas divulgou um manifesto político que denuncia o bombardeio dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro como parte de uma ofensiva imperial contra a soberania regional.
O documento foi publicado no dia 3 de janeiro de 2026 pela Associação Latino-Americana de Micro, Pequenas e Médias Empresas (ALAMPYME) e classifica a ação militar norte-americana como “crime contra a humanidade”, apontando a ruptura deliberada com o direito internacional e com qualquer compromisso democrático nas relações entre Estados.
Assinam o manifesto organizações empresariais da Argentina, Brasil, Chile e México, que relacionam a escalada militar contra a Venezuela a um padrão mais amplo de intervenções políticas, econômicas e institucionais na América Latina — cenário que, segundo o texto, dialoga diretamente com as ameaças à democracia observadas recentemente em países como o Brasil.
Ruptura com a ordem internacional e normalização da força
O manifesto sustenta que a ofensiva dos Estados Unidos representa a consolidação do que denomina “lei da força e da faca”, substituindo normas multilaterais, direitos humanos e os mecanismos institucionais construídos no pós-Segunda Guerra Mundial.
Segundo a ALAMPYME, a hegemonia anglo-americana, diante de uma crise estrutural profunda, teria abandonado até mesmo seus antigos discursos civilizatórios, recorrendo abertamente à coerção militar, ao controle de recursos estratégicos e à intervenção direta sobre governos considerados não alinhados.
Para as entidades signatárias, esse processo ajuda a compreender por que ações golpistas, tentativas de ruptura institucional e deslegitimação de processos eleitorais voltaram a ganhar espaço em diferentes países — inclusive no Brasil, cuja democracia foi atacada em 8 de janeiro de 2023 e continua sob vigilância da sociedade civil.
Guerra às drogas, petróleo e controle político da região
Um dos eixos centrais do documento é a crítica à retórica da “guerra às drogas”, apontada como instrumento ideológico para justificar intervenções militares, como no Panamá no final do século XX e, agora, na Venezuela.
A ALAMPYME afirma que, apesar de décadas dessa política, os próprios Estados Unidos registraram aumento no consumo e na mortalidade por drogas, desmontando qualquer justificativa humanitária. Para o manifesto, o verdadeiro objetivo seria o controle geopolítico da América Latina, o saque de recursos estratégicos — especialmente o petróleo — e a proteção de interesses financeiros associados a grandes bancos e corporações transnacionais.
América Latina como “quintal estratégico” e impactos sobre a democracia
O ataque à Venezuela é descrito como parte de uma tentativa de manter a América Latina como zona de influência exclusiva, em um contexto de crescente disputa global. Segundo o texto, Washington já não oferece sequer os pactos políticos mínimos do passado, como democracia representativa funcional ou compromissos constitucionais estáveis.
A agenda imposta à região, segundo a ALAMPYME, resume-se a ajustes neoliberais, privatizações, endividamento, desemprego e empobrecimento estrutural, com impactos diretos sobre micro, pequenas e médias empresas — setor que depende de estabilidade institucional, políticas públicas e soberania econômica.
Esse cenário, aponta o manifesto, cria terreno fértil para crises democráticas, radicalização política e tentativas de ruptura institucional, como as que mobilizaram atos em todo o Brasil neste 8 de janeiro em defesa da democracia.
Intervenção eleitoral e alerta para novos alvos
O documento também alerta para práticas recorrentes de intervenção eleitoral, pressão diplomática e econômica para favorecer candidaturas alinhadas aos interesses norte-americanos, citando episódios recentes em países como Argentina, Honduras e Equador.
Nesse contexto, a ALAMPYME afirma que Brasil, México e Colômbia não estão imunes a esse tipo de ofensiva, seja por meio de disputas eleitorais, seja por campanhas de desestabilização política e econômica.
“Unidos ou afundados”: integração como defesa da democracia
O manifesto é encerrado com um chamado direto à integração latino-americana, evocando a frase de Juan Domingo Perón — “Unidos ou afundados” — e o ideal bolivariano de unidade regional.
Para a ALAMPYME, se os governos não forem capazes de responder à altura do momento histórico, caberá aos povos, às organizações sociais e às entidades produtivas assumir um papel ativo na defesa da soberania, da democracia e da paz — princípio que ecoa diretamente nas mobilizações populares realizadas hoje no Brasil contra o golpismo e em defesa do Estado Democrático de Direito.
O que está em jogo para o Brasil e o Sul Global
Ao relacionar a ofensiva militar contra a Venezuela com riscos institucionais mais amplos, o posicionamento da ALAMPYME indica que o conflito ultrapassa o campo diplomático, atingindo o tecido produtivo, a democracia e a soberania econômica de todo o Sul Global.
A ALAMPYME é uma articulação internacional que reúne entidades representativas do setor produtivo popular da América Latina, com atuação voltada à integração regional, à soberania econômica e ao fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas como eixo estratégico do desenvolvimento.
O capítulo Brasil da entidade é presidido por Sergio Miletto.
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