Por Radar Democrático
A manhã que deveria ser de acolhimento, reencontros e expectativas no campus da Unicamp em Barão Geraldo transformou-se em tensão e indignação. No primeiro dia de aula, um grupo externo invadiu as dependências da Universidade e provocou tumulto durante atividades de recepção, gerando apreensão entre estudantes, docentes e funcionários.
O episódio ultrapassa o registro factual de uma briga ou desentendimento. O que está em jogo é algo muito maior: o respeito à universidade pública como espaço democrático, plural e protegido pela autonomia constitucional. Quando um grupo invade um campus e tenta constranger a comunidade acadêmica, não se trata apenas de um conflito pontual — trata-se de uma afronta direta ao direito à educação superior pública.
A universidade pública brasileira, construída com recursos da sociedade e voltada ao interesse coletivo, é um patrimônio social. É nela que se formam profissionais, pesquisadores, professores, gestores públicos e lideranças que atuam em todas as áreas estratégicas do país. Atacar esse espaço significa atacar o direito de milhares de jovens — muitos deles oriundos de escolas públicas e políticas de inclusão — de acessar formação de excelência, gratuita e socialmente referenciada.
A Unicamp, reconhecida nacional e internacionalmente por sua produção científica e por sua contribuição ao desenvolvimento social, econômico e tecnológico, tem trajetória marcada pelo compromisso com a democracia e com a liberdade de pensamento. O ambiente universitário é, por natureza, um espaço de debate, divergência e construção crítica. Mas debate pressupõe diálogo — nunca intimidação ou violência.
A defesa da universidade pública não é uma pauta corporativa. É uma defesa da Constituição, da autonomia universitária e da própria democracia. Garantir que estudantes possam circular, se manifestar e participar de atividades acadêmicas sem medo é assegurar o direito fundamental à educação.
Em tempos de tentativas de deslegitimar instituições públicas, reafirmar o valor da universidade é um gesto de responsabilidade histórica. Não se trata de proteger muros ou prédios, mas de preservar um projeto de sociedade que reconhece o conhecimento como bem público.
Ao final do episódio, a Reitoria da Unicamp divulgou a seguinte nota oficial:
Nota da Unicamp
“A Reitoria da Unicamp vem a público manifestar seu repúdio à invasão e aos atos de intimidação e agressão protagonizados no dia de ontem (23/2), no campus de Barão Geraldo, por um grupo de nove pessoas durante o primeiro dia de aula da Universidade.
Episódios de invasão de qualquer natureza, filmagens não autorizadas e agressões são intoleráveis, representando uma grave afronta à democracia, à autonomia universitária, à segurança de estudantes, funcionários e docentes, e ao livre exercício do debate acadêmico. A universidade é um espaço de pluralidade, pautado pelo diálogo, não se submetendo a ações que busquem impor interesses por meio da violência ou da coerção.
A Unicamp reafirma seu compromisso com a democracia e com a defesa incondicional da universidade pública, gratuita, inclusiva e diversa. Não permitiremos que a intolerância e a violência prevaleçam sobre o respeito às normas institucionais e o livre pensamento.”
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