sexta-feira, 13/02/2026
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Segurança Pública

Presidente do Sindicato dos Delegados critica Tarcísio: “não cumpriu promessas”

Jacqueline Alckmim denuncia 'discurso vazio' e falta de investimento na Polícia Civil, com promessas de campanha não cumpridas.

A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo tem sido marcada por um “discurso vazio” e promessas não cumpridas na área da segurança pública, especialmente em relação à Polícia Civil. A avaliação é de Jacqueline Valadares da Silva Alckmim, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), que em entrevista ao Radar Democrático, criticou a falta de diálogo, o esvaziamento da corporação e a precarização das condições de trabalho.

Segundo Jacqueline, as promessas de campanha do governador, que incluíam a melhoria do plano de carreira, reajustes salariais e uma nova lei orgânica para a Polícia Civil, não se concretizaram.

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“As promessas do governador Tarcísio literalmente ficaram na promessa, o grande problema que a gente está tendo hoje em relação à atual gestão do governo do Estado de São Paulo É que quando, na época, o candidato Tarcísio, ele deu várias entrevistas, participou de vários debates, em que ele falava pormenorizadamente quais eram os problemas da segurança pública de São Paulo.”

A presidente do Sindpesp ressaltou que, apesar de um discurso focado em segurança pública durante a campanha, a prática tem sido de “contrassenso entre o discurso e o que realmente está sendo realizado”.

Veja a entrevista de Jacqueline Alckmim na íntegra:

 

Um dos pontos mais críticos levantados por Jacqueline é a desvalorização da Polícia Civil, evidenciada pelo reajuste salarial diferenciado concedido às forças de segurança no início do governo. Enquanto a Polícia Militar recebeu um aumento “substancialmente maior”, a Polícia Civil teve um percentual inferior, quebrando uma prática histórica de reajustes lineares. “Não tem como eu justificar 14% para um delegado e 28% para um nível de oficialato da PM, não faz sentido”, afirmou.

A falta de um plano de carreira atrativo e a ausência de investimentos têm levado a um “esvaziamento” da instituição. “Só no ano de 2025, nós perdemos, entre pedidos de baixa, exonerações, nós perdemos mais de mil policiais civis aqui em São Paulo”, revelou Jacqueline. Ela enfatiza que a contratação de novos profissionais se torna ineficaz se não há retenção, pois muitos aprovados em concursos sequer assumem ou deixam a carreira em busca de melhores salários e condições em outros estados.

“Não adianta eu ficar contratando se eu não consigo reter esse profissional aqui em São Paulo. E é exatamente esse problema que a gente tem aqui.”

A estrutura de carreira é descrita como “muito ruim”, com pouquíssimas chances de ascensão ao topo, o que desestimula os profissionais. A “meritocracia” na Polícia Civil, segundo a presidente, é baseada em indicações políticas: “É quem você conhece, é quem que politicamente vai te indicar para se tornar um delegado de polícia de classe especial.”

Falta de Estrutura e Visão Limitada

A precariedade se estende à infraestrutura. Há relatos de “viaturas quebradas, viaturas que não estão em pleno funcionamento” e “falta de estrutura, unidades policiais”. As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) 24 horas, abertas como “medida populista”, carecem de estrutura adequada, como carceragem, e sobrecarregam policiais de outras cidades.

A visão do governo sobre segurança pública é criticada por ser “muito limitada”, focando excessivamente no policiamento preventivo e na Polícia Militar, “lateralizando investimentos na Polícia Civil”. Jacqueline defende uma abordagem holística, que invista em investigações aprofundadas para desarticular o crime organizado, incluindo o crescente número de crimes cibernéticos, área que recebe “ínfima” atenção governamental.

“O olhar do governo do estado de São Paulo é um olhar muito limitado, que lateraliza investimentos na segurança pública deixando a polícia civil de lado e é preciso mudar essa perspectiva.”

Apesar dos dados oficiais de criminalidade, a percepção de insegurança da população reflete a realidade da falta de investimento e planejamento. “Se a gente não começar a ver a segurança pública como um grande quebra-cabeças em que todas as peças precisam se encaixar adequadamente a segurança pública de São Paulo vai afundar cada vez mais”, alertou.

Populismo e Ano Eleitoral

A presidente do Sindpesp lamenta que a segurança pública seja tratada como “um mero palco eleitoral”, com “discurso vazio” e ações que visam “obter likes no Instagram” em vez de soluções de longo prazo. O assassinato do ex-delegado geral Rui, sem a devida tutela do Estado, foi citado como um exemplo do “descaso como o policial civil é tratado hoje”, sendo visto como “massa de manobra” para fins políticos.

A abordagem da violência contra a mulher também é alvo de críticas. A abertura de DDMs 24 horas sem estrutura é considerada “demagógica” e “para inglês ver”. Jacqueline defende que a violência contra a mulher é o “ápice de uma sucessão de erros de políticas públicas”, com raízes na educação e na estrutura social, e não pode ser resumida a uma questão policial.

Com a proximidade do ano eleitoral, as expectativas são baixas. “Se ele minimamente conseguir melhorar a questão salarial nesse ano, a gente já vai ter que considerar isso uma grande vitória, porque foram muitas promessas e agora a gente tem pouquíssimo tempo para que elas sejam efetivamente implementadas”, concluiu Jacqueline, reforçando a necessidade de uma política de estado de longo prazo para a segurança pública.

Radar Democrático
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