A deputada estadual Professora Bebel (PT), segunda presidenta da Apeoesp, criticou o projeto Voar, do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário da Educação, Renato Feder, que visa separar alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental com base no nível de aprendizagem. Segundo Bebel, a medida, instituída por portaria publicada no Diário Oficial de São Paulo, pode estigmatizar e discriminar estudantes. O projeto será aplicado em 147 unidades escolares do estado e o próprio subsecretário pedagógico da Educação, Daniel Barros, reconhece o risco de estigma, mas afirma que as escolas estarão focadas em combater o problema.
Bebel argumenta que, sob o pretexto de “acelerar” a aprendizagem, o projeto pode levar a um processo de segregação e rotulação dos estudantes, tornando-os alvos de bullying e desconforto. Ela relembra uma proposta semelhante de Rose Neubauer, ex-secretária estadual da Educação, de diferenciar escolas por nível de aprendizagem com placas coloridas.
Retrocesso Educacional

A deputada critica a falta de justificativa plausível para a segregação, que considera um retrocesso. Ela ressalta que educadores como Vygostky e Piaget demonstraram que a aprendizagem é um processo social e que os alunos aprendem uns com os outros, não apenas com o professor.
Bebel defende que, em vez de segregação, as escolas públicas precisam de investimentos, melhores condições de trabalho para os professores, currículos adequados, gestão democrática e valorização dos profissionais da educação. Ela reconhece a importância da recuperação e reforço escolar, mas critica a separação por nível de aprendizagem.
Como funciona o projeto
O projeto piloto da Secretaria Estadual da Educação busca enfrentar a defasagem de aprendizagem separando estudantes do mesmo ano em turmas diferentes, com base no nível de conhecimento. A gestão Tarcísio de Freitas afirma que a iniciativa visa auxiliar alunos com dificuldades em acompanhar suas turmas devido ao atraso no aprendizado.
Para separar as turmas, as escolas utilizaram o desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática no Saresp de 2025. Os alunos foram divididos entre “turma nível padrão” e “turma nível adaptado”, com monitoramento contínuo e possibilidade de mudança de sala.
A secretaria fará avaliações regulares e encaminhará os resultados para pesquisadores da Universidade de Harvard, que acompanharão o projeto. O governo afirma que o programa é inspirado na metodologia “Ensino no Nível Adequado”, aplicada na Índia, que agrupa estudantes por níveis de aprendizagem, com resultados considerados positivos.


