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Fabiana Bolsonaro faz blackface e é acusada de racismo e transfobia na Alesp

Deputada Fabiana Bolsonaro: blackface. Foto: Rodrigo Costa / Alesp

CRIME NA TRIBUNA: Deputada Fabiana Bolsonaro comete racismo e transfobia em “experimento” vergonhoso na ALESP
O plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi palco de uma cena deplorável e considerada como racismo e transfobia durante a sessão desta quarta-feira (18). A deputada Fabiana Bolsonaro (PL), também conhecida como Fabiana Barroso, utilizou a tribuna para realizar o que chamou de um “experimento social”, praticando abertamente o Blackface — ato de pintar o rosto para caricaturar pessoas negras — como artifício para destilar ataques transfóbicos contra a comunidade LGBTQIA+ e, especificamente, contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL).

O ato: racismo como ferramenta de ódio

Sendo uma mulher branca, Fabiana Bolsonaro aplicou maquiagem escura no rosto durante seu discurso. A parlamentar alegou que, embora estivesse “pintada de negra por fora”, ela não poderia sentir a dor do racismo e, portanto, não teria “lugar de fala” para presidir comissões antirracistas.

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Em uma falsa analogia, a deputada utilizou esse ato de racismo para atacar a identidade de mulheres trans, afirmando que “não adianta se travestir de mulher” e que pessoas trans estariam “roubando” espaços de “mulheres biológicas”. Fabiana criticou duramente a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher na Câmara Federal, classificando o fato como uma retirada do espaço feminino.

Reação imediata: “cena criminosa e vexatória”

A reação das parlamentares de oposição foi imediata e contundente. A deputada Mônica Seixas (PSOL), visivelmente abalada e trêmula, interrompeu a sessão com sucessivas questões de ordem, classificando a conduta como crime de racismo e transfobia. Seixas pediu a suspensão da transmissão da TV Alesp e da própria sessão, solicitando uma “censura por discurso de ódio” contra o que definiu como uma “violência brutal”.

Mônica Seixas ainda invocou o Artigo 282 do Regimento Interno, que prevê a prisão em flagrante de qualquer pessoa que cometa um delito dentro do edifício da Assembleia, defendendo que o ato de Fabiana extrapolou qualquer limite do debate parlamentar e tornou-se um caso de polícia.

Vozes da Resistência

A deputada Ediane Maria (PSOL) classificou o episódio como “racismo televisionado” e um insulto à história do país, lembrando que o Brasil vive 137 anos após a abolição da escravidão. Ediane destacou a hipocrisia da parlamentar, que raramente sobe à tribuna para defender pautas femininas reais, mas o faz para cometer crimes contra minorias.

“Ser preto é para além de pintar uma pele aqui no plenário… vai lavar daqui a pouco. Foi um teatro”, desabafou Ediane.

A deputada Thainara Faria (PT)  também denunciou o histórico de Fabiana Bolsonaro, revelando que a parlamentar já teria se declarado “parda” em eleições anteriores, apesar de ser branca, para obter benefícios eleitorais. Thainara confirmou que medidas judiciais e notificações ao Conselho de Ética estão sendo preparadas para garantir que o crime de injúria racial e transfobia não passe impune.

Atentado à democracia

Enquanto alguns parlamentares tentaram minimizar o crime sob o pretexto de “liberdade de expressão” ou “imunidade parlamentar”, a presidência da sessão foi questionada sobre sua omissão diante de um crime em flagrante. O deputado Paulo Fiorilo (PT) ressaltou que a imunidade não pode ser um escudo para a prática de delitos, comparando a cena a um “picadeiro” que dialoga com a ilegalidade.

Este ato não foi apenas um “experimento”; foi uma agressão direta aos direitos humanos e à dignidade das mulheres negras e trans, exigindo uma resposta rigorosa das instituições para que o racismo e a transfobia deixem de encontrar abrigo na tribuna do povo paulista.

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