Milhares de mulheres em todo o Brasil se manifestaram neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, em defesa de seus direitos e contra a violência de gênero. As manifestações, que ocorreram em diversas capitais e cidades do país, reuniram entidades, organizações da sociedade civil e movimentos feministas, que levaram às ruas pautas como o fim do feminicídio, a igualdade de gênero e a necessidade de políticas públicas mais eficazes.
A mobilização nacional também entregou uma carta manifesto à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, enfatizando a necessidade de mais recursos para programas de combate à violência contra as mulheres e defendendo o acesso ao aborto humanizado e seguro. O documento pede ainda a implementação, por estados e municípios, da Política Nacional do Cuidado (PNC), que coloca o cuidado como direito de todas as pessoas e determina a previsão de recursos públicos para essa área.
Os protestos ocorrem em um contexto de persistência e agravamento da violência contra as mulheres no Brasil. Em 2025, o número de feminicídios bateu recorde, com 1.470 casos registrados. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1.565 mulheres foram vítimas de feminicídio no mesmo ano, com a maioria dos crimes ocorrendo em cidades com menos de 100 mil habitantes, onde a infraestrutura de proteção à mulher é precária.

Em São Paulo, a Avenida Paulista também foi palco de um grande ato, com participantes de diversos movimentos sociais e sindicais.
No Rio de Janeiro, manifestantes ocuparam a Avenida Atlântica, em Copacabana, com cartazes e palavras de ordem. Em Brasília, o protesto percorreu da Funarte ao Palácio do Buriti.
Em Belo Horizonte, a Praça da Liberdade foi palco de uma instalação impactante: 160 cruzes representando as mulheres vítimas de feminicídio em Minas Gerais nos últimos dois anos. O coletivo Casa das Marias, responsável pela ação, declarou que o objetivo é transformar o 8 de março em um dia de denúncia e mobilização, lembrando que não há o que celebrar enquanto mulheres continuam sendo assassinadas.
Manifestações artísticas e simbólicas
Em Porto Alegre, uma performance artística marcou a manifestação, com integrantes de um grupo teatral marchando segurando sapatos femininos manchados com um líquido que simulava sangue. Os calçados simbolizaram as vítimas de feminicídio no estado, e as artistas gritaram seus nomes durante a caminhada.
Em Salvador, o protesto, com o mote “Mulheres vivas, em luta e sem medo: por democracia com soberania, pelo Bem Viver, fim do feminicídio e da escala 6×1”, percorreu o trajeto do Morro do Cristo ao Farol da Barra.
Já em Belém, centenas de mulheres, principalmente de coletivos feministas, marcharam pelas ruas do centro da cidade.
Veja fotos do ato das Mulheres na Avenida Paulista em São Paulo
- Foto: Elineudo Meira (Chokito) / @fotografia.75
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