Nos dois primeiros meses de 2026, o estado de São Paulo registrou um aumento de 35,5% no número de mortes causadas por policiais militares em serviço, saltando de 76 para 103 vítimas em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram compilados pela Agência Brasil, com base em um relatório do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).
O Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) do MPSP é responsável pela divulgação dos dados referentes às mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP). As informações são fornecidas diretamente pelas polícias Civil e Militar à promotoria, em cumprimento às determinações legais e a uma resolução da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).
Críticas e Implicações
O advogado Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, criticou o aumento da letalidade policial.
“Uma polícia violenta e que mata em vez de prevenir crimes, investigar e prender criminosos, gera insegurança pública e riscos para todos os cidadãos”, afirmou.
Entre 2019 e 2022, houve uma queda significativa no número de mortes cometidas por policiais militares em serviço, passando de 720 para 262, representando uma redução de 63,6%, segundo dados do Ministério Público. No entanto, desde 2023, com a ascensão de Tarcísio de Freitas ao governo do estado, observa-se um aumento contínuo na letalidade policial. Em 2023, foram registradas 357 mortes por policiais militares em serviço, um aumento de 95 vítimas em relação ao ano anterior. Em 2024, esse número saltou para 653, um aumento de 83% em relação ao ano anterior, seguido por 703 mortos no ano seguinte.
Retrocesso e Insegurança
Ariel de Castro Alves classificou a situação como um “enorme retrocesso na garantia dos direitos humanos no estado”, argumentando que a violência do estado se traduz em um fator de insegurança pública.
“Durante toda a gestão, o governador Tarcísio de Freitas e o [então] secretário Guilherme Derrite combateram o uso de câmeras corporais, se omitiram ou desdenharam diante das denúncias e casos de violência policial e atacaram órgãos de controle, como a Ouvidoria da Polícia. O resultado só podia ser essa escalada de violência policial no estado”, completou.
O advogado também destacou que a violência policial afeta principalmente jovens pobres e negros dos bairros periféricos. “A mesma polícia que atua com violência contra pobres se corrompe perante quem tem dinheiro, e acaba gerando verdadeiras quadrilhas, milícias e grupos de extermínio”, concluiu Ariel de Castro Alves.
