As pesquisas mais recentes da AtlasIntel, divulgadas entre o final de março e o início de abril de 2026, apresentam um cenário de alta polarização e desafios estratégicos para o campo progressista no estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Fernando Haddad se consolida como o principal nome da esquerda para a sucessão estadual, demonstrando uma base resiliente, mas que enfrenta a força da máquina estadual.
Haddad aparece com 42,6% das intenções de voto em um confronto direto contra o atual governador Tarcísio de Freitas (49,1%). Embora esteja atrás, o percentual é considera o alto para um início de campanha, indicando que ele consegue aglutinar quase todo o eleitorado lulista no estado.
A pesquisa testou outros nomes do campo aliado, como Geraldo Alckmin (41,4%) e Simone Tebet (41,8%). O desempenho de Haddad é numericamente superior a ambos, o que reforça sua posição como o candidato natural do PT.
O desafio reside na rejeição. Haddad aparece com 43,6% de rejeição entre os paulistas, o que dificulta o avanço sobre o eleitorado de centro que hoje tende a Tarcísio.
Já o desempenho do presidente Lula no estado é um termômetro crítico para a reeleição em 2026. Em São Paulo, o governo federal enfrenta resistência. Dados da Atlas indicam que 56% dos paulistas desaprovam a gestão de Lula, enquanto 43% aprovam. Esse saldo negativo reflete a dificuldade histórica do PT em áreas urbanas e conservadoras do interior paulista.
Lula lidera o índice de rejeição no estado, com 53,5% dos eleitores afirmando que não votariam nele de jeito nenhum. Isso cria um cenário de “voto útil” antecipado na direita, onde figuras como Tarcísio ou Flávio Bolsonaro se beneficiam desse sentimento anti-PT.
Entretanto, o “piso” de votos de Haddad e Lula em SP é sólido (acima de 40%), o que garante a ida ao segundo turno em quase qualquer cenário.
A pesquisa aponta que as vitórias de Lula e Haddad dependem da redução da desaprovação na Região Metropolitana e no interior, possivelmente utilizando nomes como Alckmin ou Tebet para suavizar a imagem da chapa em setores produtivos.
O atual governador é o maior “muro” eleitoral. A estratégia de oposição deve focar em pontos de vulnerabilidade da gestão estadual, com pedágios e privatizações para tentar desgastar sua aprovação, que hoje sustenta os números da direita no estado.
* O Radar Democrático publica artigos de opinião de autores convidados para estimular o debate.
