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Erika Kokay defende o fim da escala 6×1 e a reconstrução dos direitos trabalhistas

Erika Kokay. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Em um cenário de avanço das políticas neoliberais que tentam transformar o trabalhador em mero “objeto de planilha de custo”, a luta pelo fim da jornada 6×1 ganha centralidade no debate sobre a saúde física e mental da classe trabalhadora. Em entrevista à Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal) , a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) aprofundou a análise sobre como a precarização do trabalho, iniciada em reformas passadas e aprofundada pela extrema-direita, tem desumanizado quem produz a riqueza do país.

O gancho principal da discussão atual é a escala 6×1, que Kokay classifica como um sistema que aprisiona o trabalhador e invade sua vida privada. Para a parlamentar, o modelo de metas abusivas, especialmente em instituições como a Caixa Econômica Federal, transformou-se em um assédio moral institucionalizado.

“O trabalhador fica refém das metas e carrega essa preocupação para dentro de casa. Isso é uma opressão que não se esgota no local de trabalho”, afirma Kokay, destacando que a dependência de funções comissionadas cria um medo constante de perda salarial drástica, forçando a aceitação de condições desumanas. Segundo ela, o trabalho deve ser um local de realização e humanidade, e não um espaço de adoecimento onde se perde “a saúde, os tendões e a esperança”.

 

 

 

O Legado Maldito da Reforma Trabalhista

A escala 6×1 é apenas um dos tentáculos da precarização consolidada pela Reforma Trabalhista de 2017, sob o governo de Michel Temer. Kokay denuncia que o fim da ultratividade — princípio que mantinha direitos conquistados até a assinatura de um novo acordo — deu ao patronato uma arma de chantagem contra os sindicatos.

A parlamentar também aponta o trabalho intermitente como uma forma de o empregador “dominar o tempo das pessoas”, deixando-as permanentemente à disposição da empresa sem garantia de jornada ou renda digna. Ela cita o exemplo dos terceirizados da Caixa que, sob a gestão passada, tiveram seus direitos reduzidos ao serem enquadrados em categorias alheias apenas para que o governo pudesse “economizar milhões” à custa da fome do trabalhador.

Feminicídio e a Sub-representação Política

A desumanização que ocorre no chão de fábrica e nos escritórios tem seu ápice na violência contra a mulher. Erika Kokay conecta a exploração laboral à violência de gênero, afirmando que o feminicídio é precedido por uma “desumanização simbólica”. Para ela, a baixa representação feminina no Parlamento (apenas 18% das cadeiras) é uma forma de violência política que impede o avanço de leis contra a misoginia, muitas vezes bloqueadas por setores da extrema-direita que se recusam a discutir gênero nas escolas.

A parlamentar defende a mudança do sistema de cotas de candidaturas para cotas de cadeiras (reservas de assentos), garantindo a paridade real de gênero. “É preciso que a gente tenha uma sociedade onde não haja dor em sermos mulheres”, conclui a deputada, reforçando que o enfrentamento à misoginia é a base para estancar os índices de violência que assolam o país e o estado de São Paulo.

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