A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal continua pressionando a direção do banco por respostas concretas a propostas de proteção a mulheres vítimas de violência doméstica, institucional e assédio. Passados quase dois meses da última reunião de negociação, a representação dos trabalhadores cobra o cumprimento de acordos e a implementação de medidas que garantam segurança sem perdas financeiras ou profissionais.
Entre as principais reivindicações está a garantia de que empregadas vítimas de violência, que necessitem de transferência para preservar sua integridade física e psicológica, não sofram prejuízos em sua remuneração ou em suas carreiras. A proposta prevê a manutenção da remuneração de função, da referência salarial e das condições de trabalho atreladas ao porte da unidade de origem, evitando que a proteção resulte em rebaixamento funcional ou diminuição de renda. A urgência dessas medidas é evidenciada pelos dados alarmantes de violência contra as mulheres no Brasil, com cerca de 673 denúncias diárias de violência doméstica e quatro feminicídios por dia.
Cândida Fernandes, representante da Fetrafi-NE na CEE/Caixa, enfatizou a necessidade de soluções efetivas. “A proteção não pode significar prejuízo para a vítima. A Caixa precisa apresentar respostas e soluções efetivas”, declarou. Ela relembrou que o tema já foi discutido em mesas de negociação anteriores, com cobranças por dados de atendimentos e melhorias nos fluxos de encaminhamento de casos. A meta é assegurar que nenhuma mulher precise “escolher entre sua segurança e sua renda”, e que o compromisso seja formalizado em normativos.
Avanço no acolhimento e combate às violências
Tatiana Oliveira, representante da Fetec-CUT/CN na CEE/Caixa, ressaltou que as propostas apresentadas estão alinhadas com os compromissos nacionais da categoria bancária. Ela destacou a importância de aperfeiçoar os instrumentos de combate à violência contra a mulher e garantir acolhimento qualificado e proteção contra retaliações ou prejuízos na carreira. “Uma mulher que denuncia violência doméstica ou assédio precisa encontrar apoio institucional”, afirmou.
O coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco, criticou a demora do banco em responder às pautas apresentadas, considerando um desrespeito à mesa de negociação. Ele ressaltou que a negociação coletiva deve ser um espaço de escuta, retorno e compromisso com a solução dos problemas, e que a demora ou o descaso com demandas legítimas enfraquece o processo de diálogo e construção conjunta.
Igualdade de gênero nos espaços de poder
Além da proteção contra a violência, a representação dos empregados cobra o cumprimento da política de participação feminina em cargos de direção. A Caixa possui em seu Estatuto Social o compromisso de assegurar a presença mínima de 30% de mulheres em cargos de direção. A reivindicação é que essa meta seja aplicada em todos os níveis hierárquicos, incluindo vice-presidências, diretorias e o Conselho de Administração. Essa cobrança ganha ainda mais relevância com a recente aprovação de legislação que estabelece reserva mínima de 30% de vagas para mulheres nos conselhos de administração de empresas estatais. Felipe Pacheco observou que “não basta defender diversidade nos discursos institucionais. É preciso que ela esteja refletida na ocupação dos espaços de decisão.”
A CEE/Caixa defende que o fortalecimento dos mecanismos de acolhimento, o cumprimento da participação feminina nos espaços de poder e o respeito às negociações coletivas compõem uma agenda unificada para a construção de um ambiente de trabalho mais seguro, inclusivo e comprometido com a igualdade. As entidades aguardam respostas concretas da Caixa para transformar compromissos institucionais em medidas efetivas de proteção e valorização das mulheres. A Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa) também manifestou apoio à atuação da CEE/Caixa, reforçando a cobrança por medidas efetivas e criticando a demora da instituição em responder às propostas apresentadas.
