A engrenagem que une a extrema-direita de São Paulo ao fisiologismo do Centrão sofreu um curto-circuito nesta quinta-feira. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, ao mirar o senador Ciro Nogueira (PP-PI), não apenas expôs um esquema de corrupção estimado em R$ 18 milhões em propinas, mas implodiu o evento de gala que selaria publicamente a aliança entre o presidente do Progressistas e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Estava tudo pronto. Na próxima segunda-feira, 11 de maio, às 19h, na Zona Sul da capital paulista, Ciro Nogueira oficializaria o apoio do PP à chapa de reeleição de Tarcísio. O encontro contaria com figuras centrais da ala bolsonarista paulista, como o ex-secretário de Segurança e pré-candidato ao Senado, Guilherme Derrite (PP).
Entretanto, as malas de dinheiro e a “mesada” de até R$ 500 mil enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, forçaram um “passo atrás” generalizado. Internamente, o clima no PP é de apreensão, enquanto a gestão Tarcísio tenta se equilibrar entre a necessidade do tempo de TV do partido e o desgaste de aparecer ao lado de um investigado por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As raízes do “Bolsomaster”: financiamento e promiscuidade
A relação entre Ciro Nogueira e Tarcísio de Freitas não é meramente eleitoral; ela é sustentada por uma rede de interesses financeiros que o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) apelidou de “Bolsomaster”. Investigações apontam que as maiores doações de pessoa física para as campanhas de Tarcísio (em São Paulo) e de Jair Bolsonaro (em âmbito federal) vieram justamente de Daniel Vorcaro, operacionalizadas por seu cunhado, Fabiano Zettel, que está preso.
Essa promiscuidade entre o capital financeiro e o governo estadual revela o verdadeiro rosto da direita: enquanto Tarcísio avança com privatizações e cortes em serviços públicos sob o pretexto de “eficiência”, seus aliados e financiadores são suspeitos de instrumentalizar o mandato parlamentar para “sextuplicar” negócios privados através de emendas encomendadas.
O elo entre o Centrão e o Bolsonarismo
Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e peça-chave para garantir a governabilidade do antigo regime, sempre viu em Tarcísio o herdeiro natural do espólio da extrema-direita. O senador chegou a sonhar com a vaga de vice em uma chapa presidencial encabeçada pelo governador, agindo como o principal entusiasta de sua ascensão ao Planalto.
A operação da PF, no entanto, expõe uma contradição insustentável no discurso oficial. Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) silencia sobre o aliado para pregar a redução da maioridade penal nas redes sociais, o “terrivelmente evangélico” André Mendonça — indicado pelo próprio clã Bolsonaro ao STF — foi quem acendeu o pavio da “hecatombe” política ao autorizar as buscas contra Ciro.

A mídia tradicional está fazendo um tremendo esforço para descolar Ciro Nogueira de Tarcísio e do núcleo bolsonarista, vão esconder o máximo que puderem essas “relaçõe$ perigosas”, o movimento popular deve pressionar para evitar a operação abafa.