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Tarcísio se nega a comentar áudio de Flávio e Vorcaro: “não é pauta”; veja a repercussão

Tarcísio foge da pergunta sobre Flávio e Vorcaro. Foto: Reprodução de vídeo de Alessandra Ferreira/Metrópoles

Após a divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro (PL) cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se recusou a responder pergunta de jornalista sobre o tema. Tarcísio estava no bairro Jaguaré na capital, visitando o local da explosão de casas devido a obra da Sabesp e, quando perguntado, respondeu apenas este assunto “não é pauta” e que só falaria sobre a questão dos eventos ocorridos no local.

No entanto, o distanciamento protocolar do governador ignora conexões financeiras diretas com o círculo íntimo de Vorcaro: o cunhado do banqueiro, Fabiano Campos Zettel, é um dos alvos da Polícia Federal, está preso por fraudes bilionárias no sistema financeiro e foi o maior doador individual da campanha de Tarcísio em 2022 (R$ 2 milhões). Zettel, que também destinou R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro, é investigado por participar de um esquema que inflava balanços bancários com ativos fictícios, gerando fraudes estimadas em até R$ 17 bilhões.

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Reações e Exigências de Investigação

A tentativa de Tarcísio de se esquivar do caso não impediu a forte reação das lideranças progressistas em São Paulo, que exigem punições severas para o que consideram uma afronta ética e institucional. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL) foi uma das vozes mais incisivas, defendendo abertamente a cassação do mandato de Flávio Bolsonaro no Senado. Para Boulos, o áudio pedindo R$ 134 milhões para financiar o filme Dark Horse não é apenas uma suspeita, mas uma prova de que o senador não tem condições de permanecer no cargo, especialmente por ter negociado valores com Vorcaro apenas um dia antes da prisão do banqueiro e após a liquidação do Banco Master já ser de conhecimento público.

Reforçando o tom de denúncia, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a governador, Fernando Haddad (PT), utilizou suas redes para publicar um vídeo antigo, de setembro de 2025, onde alerta que as operações da Receita Federal estão chegando aos “verdadeiros ladrões da nação” que operam em esquemas de crime organizado. A postagem é uma ironia direta ao andamento das investigações que agora cercam o clã Bolsonaro e seus financiadores.

Críticas e Questionamentos sobre Financiamento

A repercussão estendeu-se a outros setores da política paulista e nacional, evidenciando o desgaste da narrativa “antissistema” do bolsonarismo. A deputada estadual Beth Sahão (PT) classificou o episódio como um flagrante de “fim de festa”, exigindo investigação imediata sobre o uso de dinheiro de um banqueiro preso para limpar a imagem de Jair Bolsonaro através do cinema.

O deputado federal Rui Falcão (PT) criticou duramente a intimidade revelada nos áudios, onde o senador chama Vorcaro de “irmão”, apontando que a direita falsa moralista se associa ao que ele chamou de “ladrão dos aposentados” para sustentar um orçamento rico para uma biografia pobre.

Paralelamente, o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e deputado federal Paulo Teixeira (PT) ironizou ao questionar por que o financiamento não buscou a transparência da Lei Rouanet, optando por caminhos obscuros e sem fiscalização.

Já o ex-ministro José Dirceu subiu o tom ao exigir que Flávio preste contas sobre os R$ 61 milhões já recebidos, sugerindo que esses recursos podem estar financiando a vida de luxo de aliados de Bolsonaro no exterior, o que configuraria quebra de decoro parlamentar.

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