Uma campanha lançada por cerca de 50 organizações feministas, LGBTQIA+, sindicais e estudantis em São Paulo, intitulada “Tarcísio Inimigo das Mulheres”, expõe um cenário alarmante sobre os investimentos em proteção às mulheres no estado. Segundo a iniciativa, o governo de Tarcísio de Freitas destina apenas 18 centavos anuais por cada uma das 23,2 milhões de paulistas para a Secretaria de Política para as Mulheres, verba considerada irrisória para combater a violência, o assédio, o estupro e o feminicídio. A denúncia, apresentada pela jornalista e advogada Luka Franca, da Kuíra Feminista, mostra que as prioridades do governo estão em outras áreas.
A gestão de Tarcísio de Freitas é apontada como maior responsável pelo alto índice de feminicídio do país nos últimos dez anos. Em 2024, foram registradas 266 mortes de mulheres, a maioria vítimas de parceiros ou ex-parceiros. No período de janeiro a abril de 2026, ocorreram 107 feminicídios e 2.942 estupros de vulneráveis. Em contrapartida ao aumento da violência, o governo estadual cortou pela metade (54,4%) os recursos destinados à Secretaria das Mulheres, utilizando apenas R$ 10 milhões dos R$ 38,2 milhões previstos. A infraestrutura de apoio é limitada, com apenas 141 Delegacias de Defesa da Mulher (nem todas operando 24 horas ou em locais acessíveis), 46 casas abrigo cofinanciadas e 20 unidades da Casa da Mulher Paulista para atender aos 645 municípios do estado.
Educação e Precarização
A campanha também critica o setor educacional sob a gestão de Tarcísio, que reduziu a verba da educação de 30% para 25% do orçamento estadual, fechou turmas de EJA e ensino noturno e implementou escolas cívico-militares. Segundo as organizações, esse modelo fragiliza meninos ao cooptá-los para o extremismo e ignora a necessidade de protocolos contra assédio e ódio de gênero, afetando especialmente as meninas. A precarização do trabalho dos educadores, majoritariamente mulheres (72%), é outro ponto de atenção, com queixas sobre baixos salários, pressão por metas e adoecimento físico e mental.
A favor da escala 6×1, o governo de Tarcísio é acusado de sobrecarregar ainda mais as mulheres, limitando suas oportunidades de lazer e estudo, além de intensificar a carga de trabalho doméstico e de cuidados. A disparidade salarial é gritante em São Paulo, onde mulheres recebem, em média, 21,6% menos que homens na mesma função, percentual que chega a 40% para mulheres negras. A campanha também denuncia a persistência de ataques sexuais em transporte público lotado e linhas insuficientes, que alongam o tempo de retorno para casa.
Segurança Pública e Prioridade aos Empresários
A política de segurança pública é marcada por um aumento da letalidade policial, com 808 mortes registradas em 2025 em supostas “ações de serviço”, índice que continua a subir. As chacinas na Baixada Santista em 2023 e 2024, com mais de 80 vítimas predominantemente negras e jovens, e denúncias de execuções sumárias e torturas documentadas por órgãos de controle, reforçam as críticas. Paralelamente, o governo repassou cerca de R$ 2 bilhões às concessionárias de trem e metrô, enquanto destinou R$ 460 milhões às empresas públicas, evidenciando prioridade aos empresários do transporte em detrimento dos usuários.
Déficit Fiscal e Descaso com as Demandas Femininas
A campanha destaca a recusa do governo em aderir a políticas federais importantes, como a Política Nacional de Cuidados, que promove a corresponsabilidade do cuidado. São Paulo terminou 2025 com um déficit de R$ 12,2 bilhões, mas, segundo as mulheres, o governador encontrou recursos para concessionárias e renúncias fiscais bilionárias para empresas. Enquanto isso, as demandas das paulistas recebem “apenas descaso e propaganda”. A campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres” está ativa nas redes sociais (@tarcisioinimigodasmulheres) e em seu site.
