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Senado sob pressão: fim da escala 6×1 é foco de campanha popular

Parlamentares que defendem o fim da escala 6×1 na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Foto: Lula Marques /Agência Brasil.

A campanha “Brasil Quer Mais Tempo” intensificou a pressão sobre os senadores para acelerar a votação da proposta que visa o fim da escala 6×1, após uma vitória expressiva na Câmara dos Deputados. A iniciativa reúne trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais em uma força-tarefa digital e presencial para pressionar os senadores a apoiarem a PEC 221/2019 e outras medidas relacionadas à redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial.

A campanha incentiva os trabalhadores a enviarem mensagens aos parlamentares e a acompanharem o posicionamento de cada bancada. Os interessados em participar podem acessar o site oficial da campanha Brasil Quer Mais Tempo e informar dados básicos como nome e estado.

Aprovação na Câmara e próximos passos no Senado

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem cortes salariais, foram aprovados em dois turnos na Câmara dos Deputados com votações expressivas: 472 votos a favor no 1º turno e 469 no 2º. O próximo passo é a tramitação no Senado Federal, onde a PEC deverá passar por uma comissão antes de ser votada em plenário. Para a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado, são necessários 49 votos favoráveis, o equivalente a 3/5 do total de 81 senadores, além de aprovação em dois turnos.

A proposta de acabar com a escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um, é uma bandeira histórica de centrais sindicais, que apontam ganhos como melhoria na qualidade de vida, redução do adoecimento e absenteísmo, aumento da produtividade e estímulo ao consumo, com potencial de geração de novos empregos. Uma pesquisa da Nexus indica que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial.

Análises Econômicas e Potencial de Geração de Empregos

Estudos técnicos indicam impactos econômicos mínimos com a redução da jornada. Uma nota técnica do Ipea, publicada em fevereiro de 2026, concluiu que os custos da redução para 40 horas seriam comparáveis aos de reajustes do salário mínimo, sem gerar desemprego. Na indústria e no comércio, o custo operacional adicional seria inferior a 1%. Um estudo do Dieese, encomendado pela Contraf-CUT, sugere que a implementação da jornada de quatro dias entre bancários poderia criar mais de 108 mil vagas.

A economista Marilane Teixeira, da Unicamp, estima que a redução para 36 horas semanais, com o fim da escala 6×1, poderia gerar até 4,5 milhões de novos empregos e elevar a produtividade em cerca de 4%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também aponta que a Inteligência Artificial (IA) afetará 60% dos empregos globalmente.

Opiniões de Empreendedores e Avanço na Conscientização

Pesquisa Sebrae revela que 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas, além de MEIs, acreditam que o fim da escala 6×1 não afetará seus negócios, com 11% esperando impacto positivo. Houve uma redução na resistência à proposta, com apenas 27% prevendo impacto negativo, comparado a 32% em 2024. A Economia Criativa lidera a percepção de ganhos, com 24% de respostas positivas. O dossiê “6×1”, elaborado por 63 especialistas, conclui que o Brasil está pronto para trabalhar menos, contrariando projeções pessimistas e derrubando argumentos de queda no PIB ou insolvência empresarial.

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