Um grupo de movimentos sociais e de mulheres do estado de São Paulo lançou a campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres” para denunciar o que consideram um sistemático desmonte das políticas voltadas para a população feminina. A iniciativa visa alertar sobre o aumento da desigualdade, violência e feminicídios no estado e convoca a população para um ato público em Campinas.
O lançamento oficial da campanha ocorreu em 19 de junho, com um ato agendado para 6 de julho, a partir das 16 horas, na Praça da Catedral de Campinas. As organizadoras pedem que os participantes tragam faixas, cartazes e bandeiras para o evento. A campanha é descrita como uma iniciativa autônoma de cerca de 23 milhões de mulheres paulistas, incluindo negras, caiçaras, indígenas, trans, estudantes e trabalhadoras, que se sentem ignoradas em seus direitos pelo atual governo.
Redução dos investimentos
Segundo os dados apresentados pela campanha, o governo Tarcísio de Freitas cortou pela metade (54,4%) os recursos destinados à Secretaria das Mulheres. Dos R$ 38,2 milhões previstos para o combate à violência, apenas R$ 10 milhões foram gastos. Essa redução no investimento é apontada como um fator que contribui para o alto índice de feminicídios no estado, que em 2024 registrou 266 mortes, a maioria cometida por parceiros ou ex-parceiros. De janeiro a abril de 2026, foram contabilizados 107 feminicídios e 2.942 estupros de vulneráveis.
A infraestrutura de apoio às mulheres também é considerada precária, com apenas 141 Delegacias de Defesa da Mulher para os 645 municípios paulistas, além de um número limitado de casas abrigo e unidades da Casa da Mulher Paulista.
A campanha detalha sete áreas em que o governo Tarcísio de Freitas é criticado por ataques às mulheres e pelo desmonte de políticas:
- Educação: Redução de verbas, fechamento de turmas e imposição de escolas cívico-militares, modelo que, segundo as feministas, fragiliza meninos e precariza a vida de meninas, além de pressionar educadores, em sua maioria mulheres.
- Trabalho: Defesa da escala 6×1, que sobrecarrega as mulheres, e a persistência da desigualdade salarial, com mulheres ganhando, em média, 21,6% menos que homens na mesma função, e mulheres negras com um déficit de 40%.
- Transporte: Denúncias de ataques sexuais em transporte lotado e linhas insuficientes. O governo é acusado de priorizar concessionárias de trem e metrô com repasses bilionários em detrimento dos usuários.
- Segurança Pública: Críticas à letalidade da Polícia Militar, com registros de chacinas e execuções sumárias, especialmente na Baixada Santista, atingindo majoritariamente jovens negros.
- Água e Terra: Privatização da água, aumento de tarifas e piora no fornecimento em regiões pobres. O governo também é acusado de vender terras públicas devolutas com grandes descontos para fazendeiros e grileiros.
- Saúde: Desmonte do SUS com alegações de criação de leitos inexistentes e priorização de hospitais privados. A Tabela SUS Paulista é vista como uma privatização silenciosa da saúde.
- Cuidados e Déficit: Recusa em aderir à Política de Cuidados do Governo Federal e aplicação mínima do orçamento em políticas para mulheres, enquanto São Paulo acumula um déficit bilionário.
A campanha Tarcísio Inimigo das Mulheres está ativa nas redes sociais e possui um site para mais informações, contando com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.
