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Ramatis Jacino, pré-candidato à suplência de Tebet, propõe Pacto Nacional pela Juventude Negra

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O historiador e professor da UFABC, Ramatis Jacino, confirmou sua pré-candidatura à vaga de suplente de senador na chapa de Simone Tebet (PSB). O ativista histórico do movimento negro e sindicalista destacou que sua principal contribuição será a ampliação de programas de proteção e desenvolvimento para a juventude negra, pobre e periférica, defendendo um “pacto nacional” com investimentos robustos na educação.

Petista, Jacino é indicado por setores do Partido dos Trabalhadores que entendem que como Tebet é uma candidata de Centro, caberia a primeira suplência ficar com alguém mais à esquerda. Em caso de vitória de Tebet e de Lula, a senadora poderia voltar a um ministério no novo governo, abrindo a possibilidade para o primeiro suplente assumir.

Em Sâo Paulo, a chapa estadual encabeçada pelo PT tem Fernando Haddad como candidato a governador, Márcio França (PSB) de vice e Marina Silva (Rede) ao Senado, ao lado de Tebet.

Veja a entrevista de Ramatis Jacino, historiador e professor da UFABC na íntegra:

Formação e trajetória de militância

Jacino, que é professor de Ciências Econômicas da Universidade Federal do ABC e doutor em história econômica pela USP, possui uma longa trajetória de militância. Foi operário gráfico, fundador da CUT e do PT, e participou do lançamento do Movimento Negro Unificado (MNU) na década de 70. Sua ascensão à academia é vista por ele como um resultado de um esforço coletivo e das “frestas” permitidas pela sociedade, e não de um mérito individual, ressaltando a identidade de classe e racial que permeia suas pesquisas sobre a transição do trabalho escravo e a desigualdade racial no Brasil.

A indicação de Ramatis Jacino para a suplência de senador partiu da militância, com o objetivo de fortalecer a chapa e dialogar com segmentos historicamente ligados ao Partido dos Trabalhadores. Segundo Jacino, a presença de um homem negro, da periferia, migrante em São Paulo e de origem operária na academia, com histórico no PT, movimento sindical e negro, visa a ampliar o alcance da candidatura. Ele descreve a iniciativa como uma forma de “nuançar” a característica de Simone Tebet de dialogar com setores conservadores, garantindo que a população mais vulnerabilizada se sinta representada.

“A ideia é a gente contribuir dessa maneira”, afirma Jacino, destacando que sua participação busca dar voz às “populações mais vulnerabilizadas, os operários, os trabalhadores do campo da cidade, mulheres, homens negros, juventude”. Ele enfatiza que a renovação política não se restringe à idade, mas à inserção de novos grupos sociais que podem e devem ocupar esses espaços de poder para contribuir com suas elaborações, teóricas ou oriundas dos movimentos sociais, que são fontes ricas de propostas e legislações.

Pacto Nacional pela Juventude Negra

Um dos pilares da pré-campanha de Jacino é a defesa de um pacto nacional em defesa da juventude preta, pobre e periférica. A proposta, elaborada desde 2018 para programas de governo, busca um investimento maciço do governo federal para reter jovens na escola, especialmente no ensino médio, onde a evasão é maior. O objetivo é oferecer uma alternativa ao trabalho precário e à cooptação pelo crime organizado.

“A ideia é que o governo federal invista recursos significativos para reter esse jovem na escola e que o governo federal chame um grande pacto nacional em defesa dessa juventude”, explica Jacino. Ele considera o programa Pé de Meia como um avanço “revolucionário” e defende que seja “turbinado de recursos” para que o valor seja suficiente para “disputar esses jovens com esse mercado de trabalho precarizado para o qual eles são empurrados, inclusive pelo crime organizado”.

Para o professor, é uma “tragédia social e uma estupidez econômica” desperdiçar a capacidade produtiva da juventude por meio do encarceramento, extermínio ou do mercado de trabalho precário. Ele reforça a importância da intervenção estatal para garantir “o mínimo necessário para as pessoas”, contrapondo a visão neoliberal de que o mercado resolverá todas as questões.

Enfrentamento à necropolítica de Tarcísio

Jacino também direcionou críticas à política de segurança do atual governo de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas, classificando-a como uma “necropolítica”, política da morte, conceito do filósofo Achille Mbembe. Ele menciona os massacres na Baixada Santista e a violência policial contra a população negra, principalmente jovens, como manifestações dessa política. O historiador aponta o contraste entre o discurso de combate à criminalidade e o “notório o envolvimento de parte significativa do staff do governo do Estado com a cúpula do crime organizado com o PCC”, conforme denúncias existentes.

Encerrando a entrevista, Ramatis Jacino abordou a intrínseca relação entre a questão racial e a questão de classes no Brasil. Ele argumenta que a escravidão, um modelo econômico lucrativo por quase 400 anos, construiu a ideologia do racismo para justificar a exploração e manter o poder estamental.

“A grande contribuição do movimento negro [é] demonstrar no Brasil quanto que essa questão de classes está imbricada com a questão racial”, pontua Jacino, defendendo um debate que some raça e classe. Para ele, a totalidade da classe dominante brasileira é branca, enquanto a maioria da classe trabalhadora é negra, evidenciando a necessidade de discutir a exploração e o racismo como mecanismos de manutenção de poder, para além de debates meramente identitários.

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