Início Notícias Soberania e caráter: o recado de Lula e Haddad contra a interferência...

Soberania e caráter: o recado de Lula e Haddad contra a interferência externa

Foto: Diogo Zacarias, divulgação

Faixas, camisetas estampadas com o slogan “Brasil Soberano” e um recado direto a atores internacionais: a convenção estadual do PT em Campinas deixou claro que a soberania nacional e a defesa do caráter serão dois dos eixos ideológicos centrais da candidatura de Fernando Haddad ao governo. No Clube Concórdia, com capacidade para cerca de 4 mil pessoas, Lula e seus aliados usaram o palanque tanto para reagir a interferências externas quanto para marcar contraste ético com os adversários.

O momento mais duro do discurso de Lula foi a reafirmação da soberania brasileira diante de notícias sobre ameaças de interferência estrangeira, em especial do governo norte-americano de Donald Trump, no processo eleitoral. O presidente foi taxativo: o destino do país não se decide fora dele.

“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições”, sentenciou. Lula lembrou que as decisões democráticas cabem exclusivamente aos 157 milhões de eleitores brasileiros e endureceu o tom contra qualquer tentativa de deslegitimar o pleito: “Quem quiser de fora vir se meter… vão apanhar muito aqui”.

Caráter não se compra no Mercado Livre

A pauta da soberania se entrelaçou com a defesa da biografia dos candidatos. Para Lula, o caráter político nasce na formação familiar – e nenhuma tecnologia é capaz de simulá-lo. “Andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter a gente não encontra no shopping, não compra no Mercado Livre. Aprende com o pai e com a mãe”, disse o presidente.

Haddad reforçou a narrativa recorrendo à própria história familiar. O candidato resgatou a trajetória do avô, o padre ortodoxo Curi Rabibe, que recorreu ao diálogo para evitar bombardeios em sua terra natal, e citou o ensinamento do pai, Khalil, de que a honra é o maior patrimônio de um homem – valor que contrapôs ao que chamou de “caráter de shopping” dos adversários.

O candidato ainda cobrou o alinhamento do atual governo paulista a lideranças internacionais controversas, citando a entrega de medalhas a Javier Milei em meio à grave crise alimentar que atinge a população argentina.

“Brasil não é puxadinho dos Estados Unidos”

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, deslocou o debate da soberania para o terreno econômico e industrial, criticando o que classificou como subserviência de governantes que não defendem a indústria paulista diante de pressões externas.

“Nós não queremos um governador que, quando o Trump taxa o nosso estado, o governador veste bonezinho do Trump e se esconde debaixo da mesa”, disparou. Edinho descartou lideranças que atuem como “tiktoker que faz dancinha” ou “líder de torcida” de interesses internacionais, resumindo o recado: “o Brasil não é quintal nem puxadinho dos Estados Unidos”.

Uma causa chamada Brasil

O ato se encerrou ao som de um jingle adaptado do clássico “Rap do Silva”, com Lula emocionando a militância ao falar de sua motivação pessoal. Aos 80 anos, o presidente afirmou que é a existência de uma causa que o mantém afastado do peso da velhice. “Eu tenho uma causa e essa causa se chama Brasil”, declarou, convocando o público a votar em si mesmo e no projeto de soberania representado pela chapa.

Mais do que formalizar a candidatura, a convenção em Campinas escancarou a estratégia da coligação: nacionalizar o debate na eleição estadual, transformando o pleito paulista em uma trincheira de defesa da soberania nacional e da dignidade biográfica contra o que classificam como desinformação tecnológica.

NENHUM COMENTÁRIO

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, escreva seu nome

Sair da versão mobile