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Bancários derrotam proposta de arrocho salarial e garantem reposição da inflação nos salários

Foto: Fenae, divulgação

A categoria bancária obteve uma vitória significativa na Campanha Nacional ao conseguir que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentasse uma proposta de reajuste salarial sem arrocho. A oferta, que será discutida em novas rodadas de negociação, prevê a reposição total da inflação acumulada em 12 meses até 31 de agosto, estimada em cerca de 4% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). No entanto, a proposta ainda é considerada insuficiente, pois não contempla um aumento real para os salários e demais verbas.

A proposta da Fenaban abrange a reposição integral da inflação para salários e diversas verbas. Contudo, vales alimentação (VA) e refeição (VR) teriam um reajuste diferenciado, atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A estimativa para o VA é de 2,99%, baseada na inflação de “alimentação em domicílio”, o que representaria uma perda real de 1,1% em relação ao INPC. Já o VR teria um reajuste estimado de 4,39%, alinhado à inflação da “refeição fora do domicílio” medida pelo IPCA.

Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários, ressaltou que, apesar dos argumentos da Fenaban sobre o custo de 1% de reajuste equivaler a R$ 1 bilhão, os lucros expressivos dos bancos não justificam o arrocho salarial.

Participação nos Lucros e Avanços em Outras Cláusulas

Na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a Fenaban corrigiu o INPC nos tetos e nas parcelas fixas, revertendo a proposta anterior de congelamento. Contudo, o Comando Nacional busca uma valorização maior da PLR, com melhorias na parcela adicional para que os bancos distribuam uma porcentagem maior de seus resultados. A entidade também conseguiu impedir o congelamento de verbas e a retirada de direitos, como a gratificação de caixa, que os bancos tentaram implementar sob o argumento da extinção da função. Além disso, houve avanços nas negociações sobre indenização adicional e recolocação de bancários demitidos devido ao fechamento de agências.

Ao longo das negociações, o Comando Nacional também obteve avanços em outras áreas cruciais, como negociações na RN-1, proteção aos trabalhadores contra monitoramento digital invasivo, direito à desconexão e cláusulas de combate ao assédio. As negociações estavam previstas para continuar em 28 de agosto, com a expectativa de uma nova proposta de reajuste.

Neiva Ribeiro, outra coordenadora do Comando Nacional, destacou que a categoria “venceu o intuito dos bancos de impor um arrocho salarial”, atribuindo o sucesso à mobilização, participação nas plenárias, paralisações e à unidade nacional. Ela reforçou, porém, que o índice proposto ainda é insuficiente para valorizar os trabalhadores de um dos setores mais lucrativos da economia, reiterando a demanda por valorização real em salários, VA, VR e PLR.

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