O setor financeiro brasileiro consolidou, em 2025, uma profunda transição em sua estrutura operacional, impulsionada por um investimento massivo de R$ 47,8 bilhões em tecnologia. Os canais digitais, como mobile e internet banking, já concentram a maior parte das operações, enquanto o atendimento presencial se torna residual e altamente especializado, aponta reportagem de Tatiane Correia no jornal GGN e na Contraf/CUT.
O encolhimento da rede física bancária reflete a migração dos clientes para ecossistemas de autoatendimento, gerando a chamada “desertificação bancária” em algumas regiões. Atualmente, 19,7 milhões de brasileiros residem em municípios sem agências tradicionais, precisando recorrer a serviços alternativos como Postos de Atendimento Bancário (PABs) ou cooperativas de crédito. O número de cidadãos sem qualquer ponto físico de atendimento cai para 5,6 milhões em 926 municípios. Nas regiões Norte e Nordeste, os bancos públicos ainda são os únicos responsáveis pela oferta de crédito imobiliário, indicando que a retração privada não é acompanhada por uma digitalização inclusiva nessas áreas.
O Perfil Profissional em Mutação
A digitalização transformou a ocupação bancária. O fechamento de agências físicas resultou em uma queda drástica nas funções operacionais e administrativas. Entre 2015 e 2025, as ocupações com maior declínio nos bancos privados incluem supervisores administrativos (-85%), atendentes de agência (-68%), caixas de banco (-58%) e gerentes de agência (-33%). Paralelamente, as áreas de infraestrutura e desenvolvimento de tecnologia vivenciam uma expansão expressiva, com recrutamentos para funções de arquitetura de dados e desenvolvimento registrando saltos significativos. Estima-se que um em cada quatro empregos no setor financeiro tenha algum grau de exposição à inteligência artificial.
O desempenho financeiro dos principais bancos brasileiros em 2025 demonstrou pressão por eficiência. O lucro líquido total dos cinco maiores bancos mais o Nubank alcançou R$ 140,7 bilhões, com um crescimento modesto de 0,6% em relação ao ano anterior. Essa estagnação foi influenciada pela queda de 45,4% no lucro do Banco do Brasil, devido à taxa Selic e ao aumento da Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) no agronegócio. Em contraste, os bancos privados (Itaú, Bradesco e Santander) apresentaram um lucro de R$ 87,1 bilhões, com alta de 16,9%. O Nubank se destacou com um Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) de 33%, impulsionado por um custo médio de atendimento por cliente ativo de apenas US$ 0,80.
Desafios da Transição: Riscos Cibernéticos e Desigualdade
A digitalização ampliou a superfície de ataque para crimes financeiros, levando os bancos a investir R$ 5 bilhões em cibersegurança, com foco em golpes como o de “falso funcionário”. A governança ganhou destaque após a “Operação Carbono Oculto”, que desarticulou esquemas de lavagem de dinheiro em fintechs. Desde agosto de 2025, as instituições de pagamento são obrigadas a entregar a “e-Financeira” para aprimorar a fiscalização. No entanto, o setor ainda enfrenta desafios de equidade: a remuneração média de mulheres bancárias é cerca de 20% da dos homens, e essa diferença chega a 25% em cargos de liderança. As agências remanescentes tendem a se especializar em consultoria estratégica e negócios de alta renda, o que pode impactar clientes com menor renda ou idosos. Para os profissionais, a requalificação é essencial para se adaptar a um ecossistema de dados onde a consultoria humana especializada, combinada com capital eficiente e governança, representa o diferencial competitivo.
