O economista e ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira, defendeu a urgência de o governo Lula adotar uma política de novo desenvolvimentismo para tirar o Brasil de uma prolongada estagnação econômica, que segundo ele já dura 45 anos. Em entrevista ao vereador de São Paulo, Nabil Bonduki (PT), Bresser-Pereira, que se identifica com uma posição mais à esquerda desde que deixou o governo Fernando Henrique Cardoso, detalhou os pilares de sua teoria e criticou duramente a influência do capital rentista e financista, além do modelo neoliberal que, segundo ele, aprisiona o país em uma armadilha de juros altos e câmbio apreciado.
Bresser-Pereira contextualizou que o Brasil experimentou um grande crescimento entre 1930 e 1980, mas foi a partir da crise da dívida externa na década de 80 que a economia brasileira entrou em um regime de semi-estagnação. O economista aponta o governo Collor como o marco da adesão ao neoliberalismo, que perdura até hoje, mesmo diante dos esforços das gestões do ex-presidente Lula e da equipe atual, liderada pelo ministro Fernando Haddad.
Para Bresser-Pereira, a persistência da estagnação se deve à contínua definição das “regras do jogo” pelos capitalistas rentistas e financistas da Faria Lima, que impedem o governo de ter força para enfrentar essa barreira. Ele recorda sua decepção com a política econômica do governo Fernando Henrique, que, apesar de progressos sociais e democráticos, foi um “desastre” no plano econômico por mergulhar no neoliberalismo.
O economista também abordou a desindustrialização brasileira em duas etapas, sendo a primeira a abertura comercial e financeira promovida por Collor. Ele enfatiza que o “império” — países ricos liderados pelos Estados Unidos — não tem interesse no desenvolvimento e industrialização da periferia do capitalismo, utilizando o liberalismo econômico como ferramenta para este fim.
A teoria do novo desenvolvimentismo, desenvolvida por Bresser-Pereira a partir dos anos 2000, identifica dois problemas fundamentais que mantêm o Brasil na estagnação: a estratégia de crescer com poupança externa (endividamento) e a taxa de câmbio cronicamente apreciada. Ele contraria a ideia de que a atração de capitais externos é benéfica, afirmando que “não adianta atrair capitais, porque se atrai capital, aprecia o câmbio, desestimula o investimento”.
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