O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (19), em entrevista à rádio Jovem Pan, que aumentos salariais para professores da rede estadual têm um alto custo para as finanças estaduais. Segundo ele, um reajuste de apenas 1% na remuneração dos docentes representa uma despesa adicional anual de quase R$ 500 milhões. A declaração foi feita durante uma sabatina na rádio Jovem Pan, onde o governador abordou a questão salarial dos professores paulistas.
O governador não lembrou, no entanto, que retirou R$ 11 bilhões anuais da educação com a redução de 30% para 25% do orçamento para a pasta. Além disso, Tarcísio concede isenções fiscais a empresas da ordem de R$ 85,6 bilhões, valor maior que a soma dos orçamentos das áreas de educação e saúde juntas.
O governador afirmou que São Paulo, que é o estado mais rico da federação, se encontra entre a 16ª e a 17ª posição no cenário nacional em termos de vencimento dos professores. Com mais de 200 mil docentes ativos na rede estadual, o impacto financeiro dos reajustes nas contas públicas é significativo. “Quando você dá 1 ponto de aumento percentual, a gente tá falando em quase R$ 500 milhões de despesa a mais, e é todo ano, e o impacto que isso vai ter na Previdência”, explicou o governador, expressando o desejo de “pagar o melhor salário do Brasil para os professores”.
Remuneração inicial e final em SP
Um levantamento de janeiro de 2026, elaborado pelo Movimento Profissão Docente, comparou os salários iniciais e finais de professores da rede pública de ensino em todo o país. Em São Paulo, a remuneração inicial de um professor com jornada de 40 horas semanais, sem gratificações, era de R$ 5.565, valor inferior à média nacional de R$ 6.212,36. Mato Grosso do Sul liderava o ranking com R$ 13.007,12. Contudo, na remuneração final, que considera a progressão de carreira, São Paulo apresentava R$ 14.469, acima da média nacional (R$ 9.799,54), mas atrás de Mato Grosso do Sul, Ceará e Tocantins.
O governador também comentou as críticas de professores e coordenadores sobre o uso de ferramentas tecnológicas e as metas impostas pela Secretaria de Educação. Tarcísio de Freitas reconheceu que algumas medidas podem ter gerado um certo “engessamento”, mas reiterou que a intenção é auxiliar alunos e professores. O governo estaria revisando a estratégia de uso de plataformas de preparação para o Enem, matemática, redação e dever de casa, além de programas como o Multiplica.
Desempenho no IDEB e ensino técnico
Questionado sobre a queda de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio na rede pública, que o colocou na 10ª posição nacional em 2025, Tarcísio contestou o recorte, afirmando que não considera o ensino médio técnico. Ao agregar as duas modalidades, ele alegou que a nota do Estado subiria de 4,3 para 4,5, elevando a posição para o 8º lugar. Ele destacou a expansão do ensino técnico, que passou de 12% para 42% dos alunos do ensino médio.
Tarcísio de Freitas citou avanços nos indicadores do ensino fundamental, com o fundamental 1 subindo de 6,2 para 6,6 (3ª posição nacional) e o fundamental 2 de 5,1 para 5,2 (5ª posição nacional). Para um próximo mandato, se reeleito, o governador planeja expandir escolas de tempo integral, programas de tutoria e recuperação da aprendizagem, alfabetização na idade certa e formação continuada de professores. Também pretende ampliar o ensino técnico e reformular cursos do Centro Paula Souza.
Em relação à infraestrutura, o governador mencionou a instalação de ar-condicionado em escolas (de 9 para cerca de 1.500), reformas em 3.400 escolas, e a entrega de 169 creches e 84 escolas novas. Sobre bonificações, informou que 180 mil profissionais da educação receberam bônus por desempenho dos alunos, totalizando R$ 1 bilhão.
Críticas sobre gestão e renúncia fiscal
No entanto, o governo Tarcísio tem sido alvo de críticas quanto à gestão educacional e às prioridades orçamentárias. Relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) apontaram uma “falsa sensação de sucesso” pedagógico, com discrepâncias entre os índices de alfabetização divulgados pelo Estado e os indicadores federais. A precarização do corpo docente, com alta rotatividade e professores atuando fora de sua área de formação, além de escolas com infraestrutura inadequada e salas superlotadas, também foram pontos destacados.
Ademais, o aumento da renúncia fiscal do governo, que supera orçamentos somados de Saúde e Educação, tem sido criticado pela oposição como um benefício à elite em detrimento de áreas sociais. A redução do percentual mínimo de investimento estadual em Educação, de 30% para 25%, também gerou forte oposição e preocupação com o sucateamento do setor.
