O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) exonerou Silvana Gimenes do cargo de coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A demissão ocorreu na segunda-feira, dois dias após a servidora ter criticado publicamente uma declaração do então candidato Flávio Bolsonaro (PL) durante um debate na TV Globo. Na ocasião, Flávio referiu-se ao presidente Lula (PT) como “nove dedos”, em alusão à perda de um dedo num acidente de trabalho. As informações são de Thais Bilenky no UOL.
No sábado (24), Silvana Gimenes recorreu a uma rede social para manifestar o seu repúdio face ao comentário. Na sua publicação, escreveu: “Ao ouvir o 22 [número de urna de Flávio] chamar Lula de ‘nove dedos’, apenas constatei o que sempre digo. O preconceito, o racismo, o capacitismo, a LGBTfobia podem estar escondidos, mas sempre vêm à tona”. No mesmo texto, a servidora sublinhou a sua vivência enquanto mulher, LGBT e pessoa com deficiência, considerando a fala uma desconsideração para com a diversidade de corpos e rematando que “esse 22 não nos representa”.
No domingo, o presidente Lula foi reeleito e, na segunda-feira seguinte, a coordenadora foi informada da sua dispensa do cargo comissionado. Apesar da exoneração desta função de chefia, Silvana Gimenes mantém o seu estatuto de funcionária pública, contando com 41 anos de serviço e sendo uma conhecida militante no seu setor de atuação.
Segundo o relato da servidora, o secretário da pasta, Marcos da Costa, comunicou ao superior direto de Silvana que a sua saída integrava um processo de mudanças na equipa. Após chegar ao trabalho, foi notificada telefonicamente para regressar a casa.
Numa nota oficial, a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência justificou a destituição com a necessidade de realizar “ajustes administrativos”, ressalvando que se tratava de um cargo de “livre nomeação e exoneração”.
Em declarações à reportagem, Silvana Gimenes admitiu que mudanças de equipe são habituais em novas gestões. A funcionária pública recusou afirmar de forma categórica que a demissão constituiu uma retaliação direta à sua publicação, classificando tal premissa como uma suposição, mas reiterou que o seu percurso a impedia de permanecer em silêncio perante discursos preconceituosos.
