segunda-feira, 2/02/2026
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Massacre no Rio

Moradores da Penha recuperam ao menos 72 corpos em área de mata após megaoperação no Rio

Mortos não estão na contabilidade oficial do estado, que já era de 64; total de vítimas passa dos 100
Corpos estão sendo retirados do local nesta manhã. Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
Corpos estão sendo retirados do local nesta manhã. Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Por Brasil de Fato

O Complexo da Penha continua vivenciando cenas de terror no dia seguinte da operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro. Desde a madrugada desta quarta-feira (29), moradores se mobilizaram para recuperar corpos abandonados na área de mata da comunidade, na Serra da Misericórdia, onde também ocorreram confrontos.

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Ao menos 72 corpos foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, cobertos com lençóis e enfileirados. O balanço oficial do governo do Estado contabiliza 64 mortos na megaoperação. Se levado em conta as vítimas encontradas hoje na mata, o total pode se aproximar de 130 pessoas mortas. Além dos 4 policiais, nenhuma das vítimas foi identificada.

No local onde os corpos estão expostos, chegam familiares a todo momento. O ativista Raull Santiago relatou que o cenário é de corpos violados e desamparo. Por volta das 10h, o Corpo de Bombeiros chegou no local para retirar os corpos.

“Acabei de ver uma mãe identificando seu filho, uma filha identificando seu pai. A ficha começa a cair, o cheiro podre de pessoas mortas, o grito, o choro, corpos chegando. Mais pessoas estão sendo encontradas em partes da favela”, disse em vídeo nas redes sociais. Ao fundo é possível ouvir o choro de mães.

A Operação Contenção mobilizou 2,5 mil agentes dos polícias civil e militar nos Complexos da Penha e do Alemão, sob a justificativa capturar lideranças do Comando Vermelho, na última terça-feira (28). A resposta do crime organizado instaurou o caos na cidade e na região metropolitana, fechamento das principais vias expressas com barricadas, e sequestro de ônibus.

Política de morte

Considerada desastrosa por especialistas, a atuação das polícias sob o comando do governador Claudio Castro (PL) superou as vítimas das operações anteriores mais sangrentas do Rio: a do Jacarezinho, em maio de 2021, com 28 mortos, e a da Vila Cruzeiro, em maio de 2022, que resultou em 24 óbitos.

A Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap) do Rio de Janeiro afirma que a escolha de Castro por execuções sumárias aponta recusa em combater o “atacado do crime” com inteligência e investigação aprofundada sobre movimentações financeiras.

“O que vemos é a, cada vez mais, naturalizada política de morte executada pelas forças policiais contra cada morador de favela e periferia do estado do Rio de Janeiro”, escreveram em nota.

Mães em luto: mais corpos foram encontrados na Penha depois da megaoperação. Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
Mães em luto: mais corpos foram encontrados na Penha depois da megaoperação. Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Ao Brasil de Fato, a advogada Mariana Rodrigues da Renap, afirmou que há denúncias de mais corpos no alto do morro. “É preciso que a mídia fique atenta, pois há suspeita de que o Bope [Batalhão de Operações Especiais da PM] está voltando a fazer operação na [mata da] Vacaria”, disse.

ADPF das Favelas

Neste dia seguinte da megaoperação, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa (Alerj), em parceria com instituições locais, está no Complexo do Alemão acompanhando os desdobramentos.

A Comissão solicitou informações aos órgãos estaduais responsáveis pelo monitoramento da ADPF 635 sobre o planejamento, a execução e as responsabilidades pela ação. Castro chamou a decisão do STF, que restringiu as operações policiais nas favelas, conhecida como “ADF das Favelas”, de herança “maldita” que favorece a criminalidade.

“São filhotes da ADPF. A realidade que vemos agora é fruto dessa decisão do Supremo”, afirmou o governador. Para a rede de advogados populares, a determinação do Supremo representa um marco jurídico da luta de mães, familiares e movimentos sociais contra a violência policial.

“O governador Cláudio Castro afirma que a ADPF-635 é ‘maldita’ e classifica a letalidade policial como um mero ‘efeito colateral’ de uma política de segurança pública, explicitando a institucionalização da barbárie, a naturalização de políticas que promovem genocídio nas áreas de favela e a promoção da militarização responsável pela morte de crianças, de jovens, de trabalhadores e trabalhadoras, os quais são majoritariamente negros e de baixa renda”, reafirma Renap.

Fonte:
Brasil de Fato
https://www.brasildefato.com.br/2025/10/29/moradores-da-penha-recuperam-60-corpos-em-area-de-mata-apos-megaoperacao-no-rio/
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