Um grupo de 15 pessoas liderados por dois vereadores do PL, um de Guarulhos e outra da Praia Grande, invadiu a sede central do sindicato dos professores paulistas, a Apeoesp, na praça da República, em São Paulo, nesta quarta-feira, dia 14.
O grupo invadiu o saguão de entrada e gritou ofensas ao sindicato e ao governo federal, atirou pés de galinha nos funcionários, advogados e alguns diretores da entidade ali presentes, que reagiram, fizeram um bloqueio e expulsaram os agressores. Foi tentado um churrasco com os pés de galinha como representação do baixo valor do piso nacional, que não foi aprovado ainda. Os vereadores atiram os pés de galinha nos funcionários.
A direção da entidade acionou a polícia militar que retirou os agressores do local e foi realizado um boletim de ocorrência. Segundo relatos, os dirigentes e funcionários agiram com frieza, não entraram na provocação e não reagiram com violência.
Um dos invasores, o vereador Kleber Ribeiro, de Guarulhos, havia participado de outra violência contra a sede regional da Apeoesp em Guarulhos, e a vereadora Eduarda Campobiano participou de outra encrenca ao agredir guardadores de carros no Mercado Municipal.
Um dirigente professor avalia que a dupla produz factoides buscando audiência em redes sociais numa postulação de candidaturas a deputado nas eleições de outubro. A ação teve o mesmo estilo de invadir salas de aulas e hospitais, prática usada pela extrema-direita.
A Apeoesp tem o costume de realizar assembleias em praças públicas como no Masp, na avenida Paulista, ou na praça da República, defronte à Secretaria Estadual de Educação, onde se reúnem dezenas de milhares de professores. Numa dessas manifestações os vereadores poderiam ter escolhido confrontar os professores, já que invadir imóvel e agredir funcionários é ineficaz e cretino.
Guido, dirigente da Apeoesp, lembra que a implantação do piso nacional deve ser executada pelos governos estadual e municipal, que fogem das suas responsabilidades.
A deputada estadual professora Bebel, segunda presidenta da Apeoesp, usou sua rede social na internet para qualificar a ação como autoritária. Bebel disse que vai tomar as providências jurídicas cabíveis. O dirigente sindical, Matheus Siqueira também usou sua rede social na internet para associar o ataque ao “ódio que essa gente tem dos professores”. A destruição da educação é um dos pilares da extrema-direita.
A bancada dos deputados estaduais do PT na Assembleia Legislativa (Alesp) se solidarizou com o sindicato e exigiu a apuração e punição exemplar dos envolvidos na invasão. O ódio da extrema-direita e do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) aos professores se explica pela luta incansável da categoria e da Apeoesp na defesa da educação pública de qualidade.


