Por Felipe Mendes, José Bernardes e Larissa Bohrer, do Brasil de Fato
Preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília (DF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passa a ter novo endereço nesta quinta-feira (15). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência do capitão reformado, condenado pela trama golpista, para a Papudinha, unidade anexa ao famoso Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. A mudança, segundo o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, é prejudicial para a imagem do líder da extrema direita nacional.
“Essa transferência para a Papudinha tem um efeito pior ainda para o Bolsonaro. Vai contar muito essa ‘tarja’. A Papuda todo mundo conhece. Só o nome da Papuda e, pior, o diminutivo, é uma tarja na testa dos bolsonaristas e do próprio Bolsonaro”, avaliou em conversa com José Bernardes e Larissa Bohrer no jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, minutos após a divulgação da notícia.
Ramirez destacou que a decisão de Alexandre de Moraes foi assinada após pressão feita pela defesa e pelos familiares de Bolsonaro, que pleiteavam a concessão de prisão domiciliar, alegando razões de saúde.
“Alexandre de Moraes, dentro da lei, e de forma simbolicamente mais humilhante, acabou transferindo [Bolsonaro] para outra prisão. E aí ele vai poder ter assistência médica e apoio psicológico, conforme a solicitação da [ex-primeira-dama] Michelle Bolsonaro. Mas prisão domiciliar não vai dar, porque ele tentou romper o lacre da tornozeleira, e essa tentativa fez com que outros condenados também perdessem a possibilidade de estarem em prisão domiciliar”, lembrou o cientista político.
Durante sua carreira como figura pública em Brasília, Bolsonaro deu declarações irônicas sobre o Complexo da Papuda. Em um vídeo que circula nas redes sociais, ele, ainda enquanto deputado, solta uma estrondosa gargalhada após afirmar: “A Papuda lhe espera, boa estadia lá, valeu? Um forte abraço!”. Na ocasião, a mensagem era destinada a parlamentares de esquerda que, supostamente, eram investigados na Operação Lava Jato.
Anos depois, as imagens começaram a ser usadas como provocação ao próprio ex-presidente e a seus apoiadores. A tendência é que a gravação volte a viralizar nas próximas horas.
“O Bolsonaro criou um efeito negativo não só sobre sua própria imagem, mas também entre todos os seus aliados que participaram nessa trama golpista. Enfim, cada vez pior a situação de Jair Bolsonaro”, concluiu Paulo Niccoli Ramirez.


