quarta-feira, 21/01/2026
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Tarcísio de Freitas no olho da tempestade: crise política, investigação e desafios para sua projeção em 2026

A gestão de Tarcísio de Freitas como governador de São Paulo entrou numa encruzilhada política: tensões com aliados regionais, investigações sobre presença digital e disputas dentro da base conservadora lançam dúvidas sobre seu papel e possibilidade de transição para uma candidatura nacional em 2026. Sera essa uma porta para Tebet em São Paulo?

Por Radar Democrático

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Nos corredores do poder e nas redes sociais, cresce uma narrativa sobre Tarcísio de Freitas que vai do fantasma de crise institucional ao timing estratégico em um tabuleiro político altamente polarizado — indicando que sua trajetória política, e principalmente sua relação com o centrão e bolsonarismo, está longe de ser linear ou garantida para 2026. Enquanto isso, Simone Tebet, atualmente filiada ao MDB do Mato Grosso do Sul e ministra do Planejamento e Orçamento do governo Lula, vem despontando nas pesquisas eleitorais para o governo do Estado de São Paulo.

1. Crise de suporte político no interior paulista

Há sinais claros de que a gestão do governador tem enfrentado dificuldades concretas de articulação com prefeitos e lideranças municipais no interior de São Paulo — uma base tradicionalmente estratégica para garantir apoio político e eleitoral em 2026.

Críticas internas apontam que Tarcísio tem priorizado agendas que não necessariamente contemplam as demandas de prefeitos aliados, frustrando expectativas de entregas políticas e repasse de recursos. Relatos surgidos nos últimos meses indicam que a relação com prefeitos do interior e líderes do PP pode estar deteriorada, ecoando a possibilidade de que fragilidades na base de apoio estejam se refletindo em ameaças de abandono de alianças locais caso Tarcísio mantenha sua trajetória rumo à reeleição ou projeção nacional.

Essa crise de apoio político no interior, combinada com a fragilização de coesão dentro da própria base conservadora, indica que a chamada governabilidade estadual também é um campo de disputa, não apenas um trampolim para o Palácio do Planalto.

2. Acusações e investigação na era do marketing digital

Paralelamente a esse desgaste político, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o ministro Guilherme Boulos (Psol), que, ao que tudo indica, busca se viabilizar na sucessão de Lula em 2030, acionaram instâncias institucionais — Procuradoria-Geral da República (PGR) e Ministério Público de São Paulo — para investigar possíveis irregularidades na promoção digital de Tarcísio. Segundo a denúncia, perfis de entretenimento e “fofoca” nas redes sociais teriam mudado postura editorial e passaram a veicular conteúdos elogiosos ao governador paulista e a suas ações de governo, como a isenção de IPVA para motos e inaugurações de trechos do Rodoanel Norte.

Para críticos dessa tática, que incluem PT e Boulos, isso poderia configurar propaganda institucional disfarçada ou abuso de poder econômico digital, esbarrando em princípios constitucionais de publicidade, impessoalidade e legalidade. O debate sobre transparência em comunicação política digital coloca em evidência como a presença nas redes sociais se tornou um campo estratégico de disputa eleitoral.

3. Repercussão midiática e polarização do debate público

A polêmica em torno dos elogios nas redes explode em um contexto em que a comunicação política digital é cada vez mais central nas eleições — e as acusações de uso político de perfis de entretenimento ilustram como a disputa pela liderança política se dá também fora do espaço formal de propaganda eleitoral.

Essa guerra de narrativas digitais tem impacto prático na formação de opinião pública e na construção de reputação de políticos com ambições nacionais, e levanta questões sobre regulação de conteúdo político nas plataformas, accountability e uso de algoritmos para influenciar eleitorado.

Além disso, a crise de imagem em torno das investigações alimenta munição para adversários políticos, transformando temas institucionais de transparência em vetores de desgaste simbólico — sobretudo em um ambiente de eleição polarizada e de forte disputa por visibilidade no eleitorado digital.

4. O cenário eleitoral ampliado

As investigações e a crise de apoio local não acontecem isoladamente: elas se somam a um quadro mais amplo em que o campo conservador nacional se fragmenta e redefine lideranças. Enquanto alguns setores pressionam por maior aproximação entre Tarcísio e nomes do bolsonarismo tradicional, outros sugerem que ele ramifique estratégias próprias fora desses circuitos, buscando construir um projeto eleitoral independente e mais palatável para setores do mercado e eleitores de centro-direita.

O PT e aliados também veem nesse turbilhão institucional uma oportunidade para fortalecer a imagem de alternativa viáveis à Tarcísio, como o nome de Simone Tebet.

5. Por que isso importa para 2026

O caso de Tarcísio de Freitas, envolvendo crise de relacionamento com prefeitos, investigações sobre uso político de redes sociais e disputas internas na direita, revela algo mais profundo do que uma simples disputa por apoio: é um retrato de como a política contemporânea brasileira depende cada vez mais de comunicação digital, alianças regionais e legitimidade institucional.

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Rogério Bezerra
Rogério Bezerrahttps://gravatar.com/creatorloudly177c571905
Geógrafo, Mestre, Doutor e Pós-doutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp. Foi Diretor de Pesquisa Aplicada da Fundacentro. Coordenador do Movimento Pela Ciência e Tecnologia Pública. Atua especialmente em temas relacionados à análise e avaliação de políticas públicas.

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