Dia desses tive acesso a um compilado de pesquisas quantitativas que aponta informações relevantes sobre as brasileiras e os brasileiros. Alguns pontos mais comuns, especificidades, questões regionais e de gênero.
Dentre tantas questões apontadas, algumas chamam a atenção. A pena de morte ganha relevância entre homens. O que difere é o nível cultural. Quanto mais instrução, menos são a favor.
Homens de classe B e C sentem que não possuem mais interferência no voto de suas mulheres e filhos. E isso incomoda a muitos, colocando as redes sociais e as mídias como culpados centrais.
Homens com mais de 40 anos sofrem com as mudanças de costumes e hábitos, mais que mulheres.
De outro lado, a geração abaixo dos 35 anos aponta para uma sociedade mais equânime. A pesquisa revela que questões ligadas à diversidade seguem a mesma lógica feminina, agradando apenas jovens com menos de 35 anos de classes B e C1.
Já Felipe Nunes, diretor da Quaest, em recente entrevista ao O Globo disse que os jovens “são mais abertos do que a geração dos seus pais em temas como racismo e homofobia, e praticam menos o preconceito justamente por reconhecerem mais isso”.
Em outra entrevista, neste caso à BBC News Brasil Felipe destaca que cada vez mais homens votam na direita e mulheres na esquerda. “As mulheres no Brasil são mais progressistas e os homens mais conservadores. E quanto mais protagonismo as mulheres ganham, mais força elas têm no processo político, enquanto os homens se ressentem e se voltam ao conservadorismo”.
A realidade traz dados preocupantes quanto à violência que dialogam com as afirmações acima. O Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou no início deste ano que o número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025. Foram 1.470 casos contabilizados, superando os 1.464 do ano anterior.
Ao Brasil de Fato, Maria Fernanda Marcelino, militante da Marcha Mundial das Mulheres, “a gente vê a escalada do conservadorismo no mundo e isso explica, também, o aumento da violência e do feminicídio, da crueldade contra as mulheres”, diz. “A origem da violência é um sistema que mantém as mulheres de inferioridade política, social, cultural, e que leva essa ideia de que nossas vidas não nos pertencem: que pertencem aos homens e eles podem descartá-las”.
Em resumo: Quanto mais espaços as mulheres ocupam, mais os homens se acuam no conservadorismo.


