quarta-feira, 18/03/2026
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Haddad sai com 31% e mostra força real da oposição contra Tarcísio

Em entrevista ao Radar Democrático, deputado Emídio de Souza afirmou também que agressores de mulheres devem usar algum tipo de tornozeleira eletrônica

“O discurso do Tarcísio não para em pé”. Foi com essa frase que o deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP) resumiu a atual gestão do governo de São Paulo em entrevista ao Radar Democrático. Para o parlamentar, existe um abismo entre o marketing de eficiência vendido pelo governador e a realidade de desorganização administrativa e financeira que o estado atravessa.

Um dos pontos mais críticos abordados pelo deputado foi a situação da Secretaria da Fazenda, que ele classificou como um “antro de corrupção”. Emídio citou escândalos recentes envolvendo desvios de ICMS em Osasco, além dos casos de favorecimento de empresas (Ultrafarma, Fastshop) mencionando que apenas um fiscal teria causado um prejuízo superior a R$ 1 bilhão. Para ele, há uma “desorganização completa na despesa do Estado” e uma incapacidade de gerir as receitas de forma transparente. “Há uma desorganização da receita”, disse o deputado.

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O deputado argumentou que o governo vive de “factoides” (anúncios de mídia não realizados) e que a suposta candidatura de Tarcísio à presidência “fez água”, o que teria levado ao abandono de programas sociais como o “Superação”(um tipo de Bolsa Família paulista) “Ele anunciou o Superação… para ele ter um discurso social para apresentar. Como a candidatura dele a presidente fez água, ele rapidamente foi esquecendo esse programa”, afirmou o parlamentar. “Nem incluiu o programa no orçamento do ano”.

Veja a entrevista de Emídio na íntegra:

Obras sem dinheiro e dependência do BNDES

Emídio denunciou que grandes obras anunciadas com pompa pelo governo estadual, como o Túnel Santos-Guarujá e o Trem Intercidades São Paulo-Campinas, sofrem com a falta de orçamento próprio. Segundo ele, o governador tenta transferir a conta para o governo federal, buscando empréstimos para cobrir a parte que caberia ao estado.

O deputado destacou que o BNDES já investiu cerca de R$ 13 bilhões no setor público paulista desde 2023. “Um bom governante, quando ele anuncia um investimento, ele sabe da onde vai sair o dinheiro. Ele não pode depois ficar jogando a conta pros outros e jogando a culpa no colo dos outros”, criticou.

Sabesp e o “capitalismo sem risco”

A privatização da Sabesp foi descrita por Emídio como uma “tragédia anunciada”. Ele ressaltou a periculosidade de entregar um setor sem concorrência ao controle privado, onde o “cidadão não tem opção” de escolha.

“Você não pode falar: ‘Bom, a água da Sabesp tá muito cara, hoje eu vou fechar a torneira da Sabesp, vou pegar água de outro lugar'”, explicou o deputado.

Além disso, Emídio criticou o que chama de “capitalismo sem risco”, onde o governo indeniza concessionárias de rodovias e metrôs por perdas financeiras ocorridas durante a pandemia. Ele ironizou a situação criando o termo “pedágio home office”, referindo-se ao uso de dinheiro do orçamento público para compensar as empresas pela diminuição de fluxo de veículos e passageiros. Home office porque mesmo quem não tem carro ou viaja paga o pedágio. “No governo Tarcísio, as empresas podem tudo e o cidadão não pode nada”, sintetizou. Emídio criticou a instalação de pedágio na Raposo Tavares que é praticamente uma avenida urbana até Cotia.

Tarcísio “longe de invencível”

No campo político, o deputado rebateu a ideia de que o atual governador seria imbatível nas urnas. Ele apontou o aumento de problemas crônicos, como o feminicídio e a crise na educação, como fatores de desgaste.

Emídio destacou a força eleitoral de Fernando Haddad, que, segundo pesquisas recentes como o Datafolha, aparece com 31% das intenções de voto. Para o parlamentar, o fato de Haddad sair de um patamar de quase 1/3 dos votos, mesmo sem ter sido anunciado oficialmente, mostra que a oposição tem força real para a disputa. “Tarcísio está longe de invencível”, concluiu, enfatizando que a comparação de biografias e programas será decisiva.

Além dos pontos sobre economia e infraestrutura, o deputado Emídio de Souza trouxe para o debate temas urgentes sobre direitos humanos e ética parlamentar, com foco no aumento da violência contra a mulher no estado de São Paulo. Como relator no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa (ALESP), Emídio acompanha o caso do deputado Lucas Bove, acusado de violência doméstica contra sua ex-esposa. O parlamentar explicou que, devido à sua função de relator, não pode adiantar um posicionamento final para não invalidar o processo, mas garantiu que o caso será analisado com rigor: “nós vamos trabalhar esse processo exaustivamente”, afirmou, mencionando a fase de oitivas de testemunhas tanto da acusação quanto da defesa.

Emídio traçou um paralelo com o caso da ex-deputada Isa Pena, do qual também foi relator e que resultou na primeira punição por violência política de gênero no parlamento paulista. Ele destacou que episódios de violência contra a mulher, infelizmente, estão presentes em todos os lugares, inclusive dentro dos parlamentos, e reforçou o compromisso da ALESP em fiscalizar a conduta de seus membros.

Ao analisar a segurança pública, o deputado disparou uma crítica contundente à gestão estadual, afirmando que “São Paulo cresceu o número de feminicídios sobre o governo do Tarcísio”. Para Emídio, embora o feminicídio seja um problema cultural profundo no Brasil — tipificado como crime específico apenas em 2015 pela ex-presidenta Dilma Rousseff — o estado de São Paulo falhou em estruturar políticas públicas eficientes de proteção.

Tornozeleira eletrônica no agressor de mulheres

O deputado apontou a baixa efetividade das medidas protetivas atuais como um dos gargalos do sistema. Segundo ele, boa parte das vítimas já possuía decisões judiciais contra seus agressores, que acabam sendo desrespeitadas. Como proposta de solução, Emídio defendeu o investimento em tecnologia e monitoramento em tempo real:

“O certo é essa pessoa ter algum tipo, por exemplo, de tornozeleira eletrônica para que online a polícia consiga perceber a aproximação dele e consiga agir antes que a coisa aconteça”.

Ele ressaltou que a criação da Secretaria da Mulher no estado não foi acompanhada de uma estrutura capaz de conter o avanço desses números preocupantes, deixando as mulheres paulistas vulneráveis apesar da existência da Lei Maria da Penha.

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