quinta-feira, 19/03/2026
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Maternidades e direitos: Adunicamp e LBS Advogadas lançam cartilha que acolhe e orienta quem materna

Publicação da ADunicamp acolhe dúvidas e oferece informações sobre licença-maternidade e proteção à gestação.

Por Rogério Bezerra da Silva

Nos primeiros meses de vida de um bebê, o mundo parece se reorganizar ao redor de perguntas que não cessam. “Será que estou fazendo certo?”, “como vou voltar ao trabalho?”, “quais são os meus direitos?”.

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Para quem materna, essas dúvidas não são apenas íntimas — elas revelam uma tensão profunda entre o cuidado e a sobrevivência, entre o afeto e as exigências do mundo do trabalho.

É nesse terreno de incertezas que surge a cartilha “Maternagem e o Mundo do Trabalho: conheça seus direitos”, produzida pela ADunicamp (Associação de Docentes da Unicamp) em parceria com a LBS Advogadas e Advogados, e que conta com o apoio do Ministério das Mulheres. Mais do que um material informativo, a publicação nasce como uma resposta concreta às dúvidas que atravessam o cotidiano das mulheres que maternam — especialmente no momento mais delicado: o início da vida da criança.

Dúvidas que atravessam o corpo e o cotidiano

A volta ao trabalho costuma ser um dos momentos mais difíceis. Entre a culpa, o medo e a exaustão, surgem perguntas urgentes:

  • Posso ser demitida durante a gestação ou após o parto?
  • Tenho direito a pausas para amamentar?
  • Como garantir condições adequadas no trabalho para seguir cuidando?

Essas incertezas não são apenas individuais. Elas expressam uma estrutura social que ainda distribui de forma desigual o trabalho de cuidado, muitas vezes invisibilizado e desprotegido.

A cartilha reconhece esse cenário e busca justamente traduzir direitos em linguagem acessível, oferecendo orientação sobre temas como licença-maternidade, proteção à gestação, direitos de pessoas trans, de mulheres em situação de cárcere e de quem exerce o cuidado em múltiplas condições.

A publicação foi elaborada de forma coletiva, reunindo profissionais do direito, pesquisadoras e militantes. Com ilustrações da artista Luara Souza e relatos anônimos de mulheres — entre elas estudantes, indígenas e vítimas de violência obstétrica —, a cartilha vai além da norma jurídica. Ela acolhe experiências, reconhece dores e dá visibilidade a trajetórias frequentemente silenciadas.

Saúde da trabalhora: proteção e cuidado

Do ponto de vista da Saúde da Trabalhadora, a cartilha tem um papel estratégico. As dúvidas vividas por mães trabalhadoras — sobre direitos, condições de trabalho e cuidado — estão diretamente relacionadas a processos de adoecimento físico e mental.

A insegurança jurídica, a sobrecarga e a falta de apoio institucional podem levar ao esgotamento, à ansiedade e até a quadros como a depressão pós-parto. Nesse sentido, garantir informação sobre direitos é também uma forma de prevenção em saúde.

Ao orientar sobre proteção à gestação, estabilidade no emprego, pausas para amamentação e políticas de cuidado, a cartilha contribui para fortalecer a proteção social — elemento central para reduzir vulnerabilidades e promover condições dignas de trabalho e vida.

Docentes da Unicamp, advogadas, advogados, poder público e movimento social caminhando juntos

O lançamento da cartilha acontece no dia 20 de março de 2026, em dois momentos: pela manhã, a atividade será realizada na Casa Laudelina de Campos Mello, espaço histórico de luta das mulheres negras, com presença confirmada da ministra Márcia Lopes; à noite, o debate segue no auditório da ADunicamp (na Unicamp, Barão Geraldo).

A iniciativa é um marco do compartilhamento de saberes entre docentes de universidades públicas — que têm na ADunicamp sua maior representação —, advogadas e advogados comprometidos com os direitos sociais — que contam com a LBS Advogadas e Advogados como uma de suas maiores expressões —, movimentos sociais com base e engajamento — como a Casa Laudelina de Campos Mello, com toda a sua trajetória na luta por direitos — e o poder público — com o Ministério das Mulheres, cuja atuação tem sido central na formulação de políticas públicas voltadas à equidade de gênero e à proteção social.

A presença da ministra Márcia Lopes no lançamento, na atividade da manhã, reforça a relevância institucional da cartilha. Sua participação sinaliza que o tema da maternagem no mundo do trabalho não é apenas uma questão privada, mas um problema público, que exige ação do Estado.

Mais do que um evento, a iniciativa marca um passo importante para colocar no centro do debate público uma questão muitas vezes tratada como privada: o direito de maternar com dignidade.

E, ao fazer isso, a cartilha se afirma como aquilo que muitas mães precisam nos primeiros meses de vida de seus filhos: um guia, um apoio — e um reconhecimento de que ninguém deveria enfrentar essas dúvidas sozinha.

Clique no ink e acesse aqui a versão on line da cartilha: https://heyzine.com/flip-book/3ab3d820b8.html

 

 

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Rogério Bezerra da Silva é Geógrafo, Mestre, Doutor e Pós-doutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp. Articulista do Radar Democrático.

 

 

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* O Radar Democrático publica artigos de opinião de autores convidados para estimular o debate.

Fonte:
Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-03/entre-o-cuidado-e-o-trabalho-cartilha-lancada-em-campinas-acolhe-duvidas-de-quem-materna-e-orienta-sobre-direitos

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