A Polícia Militar de São Paulo afastou a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, após seu envolvimento na morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, ocorrida na madrugada da última sexta-feira (3), em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. O caso está sendo investigado pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias. É mais um episódio de violência policial que em 2025 bateu recorde no estado e que já tem altos índices em 2026.
De acordo com relatos, uma viatura da PM teria atingido o braço do marido de Thawanna, Luciano, com o retrovisor. Thawanna teria questionado a atitude dos policiais, dando início a uma discussão que culminou no disparo fatal, suposamente efetuado pela policial. Thawanna chegou a ser socorrida no Hospital Tiradentes, mas não resistiu. O enterro ocorreu no sábado (4).
Versões contraditórias
As versões apresentadas pela policial e pelo marido de Thawanna divergem. Os policiais alegam que Luciano perdeu o equilíbrio e bateu no retrovisor da viatura, e que o casal apresentava sinais de embriaguez. A policial Yasmin afirma ter sido agredida por Thawanna com tapas, o que a teria levado a usar a força para garantir a segurança da equipe.
Luciano, por outro lado, contesta a versão dos policiais. Segundo ele, a viatura passou em alta velocidade e, após sua esposa questionar os policiais, eles teriam dado ré e iniciado a confusão. “Ela chegou já oprimindo, já oprimindo minha mulher, deu um chute. Saí pra cima pra tentar socorrer minha mulher. E escutei só o disparo”, relatou Luciano. Moradores da área também testemunharam a cena.
Vídeos mostram a ação
Vídeos gravados por moradores mostram Thawanna no chão, cercada por policiais. Em um dos vídeos, a vítima consegue se levantar, momento em que um dos policiais aponta uma arma para ela. Outro vídeo mostra os policiais impedindo Luciano de se aproximar da esposa.
“A moça tá agonizando ali, cara, ó”, narra um morador em um dos vídeos. Segundo familiares, Thawanna permaneceu cerca de 40 minutos no chão, gritando de dor, sem que os policiais acionassem o socorro ou permitissem que ela fosse socorrida.
Protestos contra a violência policial
A morte de Thawanna gerou protestos de moradores, que denunciam a violência policial na região. Durante as manifestações, foram montadas barricadas com pneus em chamas, e a polícia utilizou armas de efeito moral.
Em dezembro de 2024, movimentos negros e organizações da sociedade civil protocolaram uma denúncia na Organização dos Estados Americanos (OEA), responsabilizando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, pelo aumento da violência policial no estado.



