Mais uma vez, a política de segurança pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo registrou aumento na letalidade policial. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), analisados pelo Instituto Sou da Paz, indicam um crescimento nas mortes decorrentes de intervenção policial no primeiro trimestre de 2026, tanto para policiais em serviço quanto para aqueles em período de folga, informa o ICL Notícias.
No primeiro trimestre de 2026, o estado de São Paulo contabilizou 143 mortes provocadas por policiais em serviço, um acréscimo de 8,3% em comparação com os 132 casos registrados no mesmo período de 2025. Este número também supera significativamente os 75 casos reportados no primeiro trimestre de 2023, ano de início da atual gestão.
Mortes de Policiais em Folga em Alta
O cenário é ainda mais alarmante quando se observam as mortes cometidas por policiais durante o período de folga. Estes casos saltaram de 28 em 2025 para 34 em 2026, representando um aumento de 21,4%. Em 2023, haviam sido 29 casos registrados.
Na capital paulista, o avanço na letalidade policial foi ainda mais acentuado. As mortes decorrentes de intervenção policial em serviço dispararam de 38 no primeiro trimestre de 2025 para 52 em 2026, um aumento de 36,8%. Em 2023, este número era de 30 casos.
Percepção de Enfraquecimento de Políticas de Controle
Os dados analisados pelo Instituto Sou da Paz sugerem um crescimento contínuo da letalidade policial sob a atual gestão estadual, particularmente após o endurecimento do discurso de enfrentamento por parte do governo e da cúpula da segurança pública. O relatório aponta para um possível enfraquecimento das políticas de controle do uso da força e uma ampliação de discursos públicos que favorecem o confronto policial.
O cenário também é preocupante com a segurança dos próprios policiais militares fora do serviço. No primeiro trimestre de 2026, quatro policiais foram assassinados durante o período de folga, número idêntico ao de 2025 e superior aos dois casos de 2023. As mortes de policiais em serviço, por sua vez, aumentaram de dois em 2025 para três em 2026, um crescimento de 50%.
Segundo o Instituto Sou da Paz, os dados indicam que o aumento da letalidade policial não tem sido acompanhado por uma redução consistente da vitimização dos próprios agentes de segurança. Carolina Ricardo, diretora executiva do instituto, enfatiza que a redução da vitimização policial depende de protocolos operacionais mais rigorosos, investimento em inteligência e o fortalecimento de mecanismos de profissionalização das corporações.
“A redução da vitimização policial exige inteligência operacional e protocolos de atuação que priorizem a preservação da vida do agente de segurança e a diminuição da lógica de confronto”, declarou Ricardo.



