O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em uma manobra que transita entre o silêncio estratégico e a defesa cega, expôs nesta semana uma série de contradições éticas e políticas ao tentar blindar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A primeira grande falha no discurso de Tarcísio foi a tentativa frustrada de evasão. Na quarta-feira (13), ao ser questionado sobre o áudio em que Flávio cobra R$ 134 milhões de Vorcaro, o governador afirmou secamente que o assunto “não era pauta”. Contudo, menos de 24 horas depois, a postura mudou drasticamente: o caso passou a ser classificado como “preocupante”, mas seguido de elogios à suposta “transparência” do aliado.
Tarcísio afirmou que Flávio “imediatamente procurou dar todos os esclarecimentos” e “deu a cara a tapa”. A realidade dos fatos, porém, desmente o governador. Conforme apurado, a reação inicial do senador ao ser confrontado pelo The Intercept Brasil foi classificar o pedido de dinheiro como “mentira”, admitindo a veracidade dos áudios apenas após a repercussão e a confirmação técnica de sua autenticidade.
Outro ponto de ruptura lógica no discurso oficial é a tentativa de Tarcísio de surfar na indignação popular contra a corrupção enquanto minimiza fatos concretos. Ao mesmo tempo em que declara que “o brasileiro não tolera mais a corrupção”, o governador sustenta que o escândalo “não atrapalha” a candidatura de Flávio, justificando que a população estaria “cansada” do PT.
O labirinto do dinheiro: Zettel, Vorcaro e Tarcísio
A defesa de Tarcísio torna-se ainda mais frágil quando se observa o rastro do financiamento de sua própria campanha. O governador recebeu R$ 2 milhões em doações de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Zettel é alvo da Polícia Federal por participar de esquemas que inflavam balanços bancários com ativos fictícios, gerando fraudes estimadas em até R$ 17 bilhões.
Essa conexão financeira coloca em xeque a isenção do governador. Como pode Tarcísio alegar desconhecimento sobre as negociações de Flávio para o filme Dark Horse, tendo ele próprio se encontrado com o protagonista Jim Caviezel no final de 2024 e sendo o seu maior doador individual um parente direto do banqueiro envolvido?



