A seis dias da eleição e com pesquisas mostrando o favoritismo de reeleição de Tarcísio de Freitas, a exposição de cada um dos candidatos deve obedecer a estratégias bem definidas.
Tarcísio é mestre na dissimilação dos pontos críticos da sua gestão, tendo uma ajuda da ausência de investigações em situações críticas como venda da Sabesp, doação do banco Master, envolvimento dos filhos em empresas, relacionamento do alto comando da Polícia Militar com o crime organizado e até no corte de verbas para programas de combate a proteção da mulher e feminicídio. Tarcísio é hábil no uso das táticas de inversão de valores como recomendam as cartilhas para vencer debates mesmo não tendo razão.
Tarcísio tem mais duas tarefas decisivas: firmar seu número para evitar dispersão no 22 e firmar os nomes e números dos candidatos ao senado Guilherme Derrite e André do Prado. Se conseguir esses dois pontos, independente do que possa ser atacado, Tarcísio sairá vitorioso do debate.
As questões de corrupção deverão ocupar o debate, porém com a blindagem de mídia e justiça, o efeito será mínimo. Exceto na questão do feminicídio que poderá sensibilizar o eleitorado feminino.
Haddad é um eterno professor e tem um estilo analítico, não é chegado a rompantes de palanques. Desde o enfrentamento com João Doria na prefeitura de São Paulo, Haddad joga toda força no debate de ideias, o que foi evitado por seus adversários em outras eleições.
Para ganhar votos, Haddad precisará bater e tirar votos de Tarcísio. Some-se os dados de pesquisa que tem eleitores de Lula que não votam em Haddad, assim como tem eleitores de Haddad que não votam em Lula. E o mais cruel, boa parte da satisfação do eleitoral de Tarcísio se deve aos efeitos dos programas de Lula na economia. Esses pequenos percentuais poderiam levar o embate para o segundo-turno, o sonho da campanha Haddad.
Há ainda no estado de São Paulo, o antipetismo, como subproduto de anos de tucanato, sentimento que prevalece nas cidades além de Campinas, onde Hadad deverá mostrar que é um “fofo”, no dizer de marqueteiros.
* O Radar Democrático publica artigos de opinião de autores convidados para estimular o debate.



